2010 é o ano do raio laser, é quando a invenção completa 50 anos! Tem até evento para celebrar: laserfest.org. Portanto, vale tentar descobrir pra que servem, afinal, peitos que emitem laser. 100,000 pessoas visitaram o site Lazer Tits em uma semana!
Espia mais (ou não, 100,000 já é muita gente vendo tetas em chamas):lazertits.com
Depois de meses espiando o Hel-looks, site de moda de rua de Helsinki, capital da Finlândia, elejo este look como o melhor. Dentre as milhares de fotos que o site coleciona desde 2005, Outi (nome da moça) veste uma roupa que parece feita de cimento batido.
Adoro dançar esquisito, gosto mesmo de quem dança feio. Não aguento ir num lugar e ver que todo mundo dança igual: reboladinho, braço dobrado, olho fechado. Preguiça. Também não saio na noite com quem não dança. Por isso, adorei quando Clarice Lima, a bailarina cearense retratada no vídeo abaixo por Luis Rodrigues A.S.M.A, falou sobre dançar mal, sobre como "esse tosco pode virar uma linguagem estética". Acho lindo quem dança torto até o chão.
Manicures são psicólogas, amigas e, muitas vezes, conselheiras. Pelos salões de beleza do Brasil, ouvem lamúrias e desembestam a dar pitaco na vida pessoal das clientes mais fiéis. Já Henrique, Fábio e Guilherme não se atrevem a opinar. Manicures e técnicos em alongamento de unhas, enquanto cutucam dedos femininos suas respostas se restringem a "sim" e "não". "A mulher quer largar o marido e eu vou dar palpite? Aí complica", conta Guilherme, há dois anos no ramo.
Antes de começar a entender de esmaltes, Henrique de Oliveira era segurança, Fábio Lamira dava aulas de capoeira e Guilherme Santanna fazia carregamento de caminhão numa transportadora. Os três largaram as profissões e foram parar no Empório das Unhas, salão especializado em alongamento de unhas no bairro da Liberdade, em São Paulo. Suely Munekata, a proprietária, morou por seis anos nos Estados Unidos e lá percebeu que o barulho das unhas batendo nos teclados era diferente. O motivo? O hábito das americanas de usar unhas postiças.
A paulistana voltou ao Brasil há oito anos com a ideia de trazer o estalo dos teclados para o cotidiano das brasileiras, já que o hábito de alongar as unhas não é popular por aqui. Seu salão oferece alongamento de acrílico e gel fotopolimerizável (que endurece na luz negra). Lá, manicure senta à mesa com cliente. Cadeirinha rente ao chão não tem vez. Até porque, seus três melhores funcionários não caberiam numa dessas. Eles são fortes, altos e fazem questão de reforçar a preferência sexual: mulheres. Apesar de terem procurado Suely, e não o contrário, a empresária queria entender por que lá fora homens são considerados os melhores do ramo. "Treinando homens percebi que eles têm uma capacidade de concentração maior do que as mulheres", explica. Tom Bachik e Tom Holcomb, por exemplo, são conhecidos manicures americanos. O primeiro faz as unhas de personalidades como Britney Spears e Cameron Diaz e o segundo é ganhador de campeonatos, como o World Nail Championship, em 2004.
Fábio começou na profissão na Europa, quando conheceu uma manicure portuguesa em Lisboa. Além de namorado, virou seu assistente. Quatro anos depois, retornou ao Brasil com uma profissão entre os dedos - e sozinho. Aos 36 anos e há um no Empório, ele ensina a técnica e atende as clientes. Uma delas, dona Nizinha, tem 70 anos e, recentemente, o presenteou com um pijama. Este mês, ela vai pintar as unhas de 3 centímetros de comprimento com as cores da bandeira do Brasil, em homenagem à Copa do Mundo.
Técnico no quê?
Henrique era segurança havia mais de dez anos. Carro-forte, segurança particular, segurança do Empório das Unhas. Foi lá que teve contato com a profissão. "Dona Suely, homem faz unha?", perguntou à patroa. "São os melhores do mundo, quer aprender?" Fábio topou. Hoje, aos 37 anos, leva cantada de outras manicures que, na sua opinião, querem é saber se ele é "homem ou gay". Fábio não dá bola. É casado com uma manicure e tem dois filhos do primeiro casamento. "Homem me canta também. Antigamente, meu pavio como segurança era curtinho. Hoje, me divirto. Falo para o meu filho: ‘Seu pai não é mais nem menos homem porque mexe com unha'." É que, quando perguntam para seu filho de 13 anos o que seu pai faz, ele responde: "Meu pai é técnico". "Técnico no quê?" O garoto não revela.
Guilherme, 28, é o único que, se necessário, sabe fazer uma unha tradicional. Depois de decorar as unhas de uma prima, viu que tinha mão pra coisa. Matriculou-se em um curso na escola Embelleze e foi atrás de Suely. Aprendeu a técnica de alongamento e hoje é freelancer do Empório. Se morasse em outro país, adotaria unhas tão longas quanto as que cria para demonstração em feiras de beleza. Por aqui não se atreve. "Às vezes, faço coisas extravagantes que a sociedade julga ser de mulher. A última decorei com um ramo de flores em relevo. No Brasil o preconceito é muito grande", reforça o que já é sabido.
Henrique, Fábio e Guilherme são revolucionários no setor. Encaram a profissão com seriedade, e o trabalho deles nem de longe vale os R$ 10 cobrados em tantos salões do país (um alongamento de unha permanente no Empório sai por R$ 150). Cuidem-se, manicures.
Vai lá: Empório das Unhas - pça. Carlos Gomes, 182, Liberdade, São Paulo, SP. www.emporiodasunhas.com.br
(texto publicado na edição # 99 da Trip para Mulher, a Tpm)
É artista? Quer ser reconhecido internacionalmente e ganhar dinheiro com isso? Liga para o Saatchi. Um dos maiores colecionadores de arte contemporânea da atualidade, Charles Saatchi fez o inglês Damien Hirst (o mais conhecido e bem-sucedido artista britânico de hoje em dia) ganhar fama quando comprou, em 1991, uma cabeça de vaca esquartejada, ou A Thousand Years, obra de Damien em começo de carreira. "Muito admirado internacionalmente pelo olho perspicaz, pela tática ousada e, também, pelas exposições que organizava [...], Saatchi era frequentemente criticado por revender com grande lucro as obras que comprava por quase nada", escreveu o jornalista Calvim Tomkins, para o The New Yorker*. O livrinho que comprei no fim de semana, My Name is Charles Saatchi and I am an Artholic (Phaidon), é uma reunião de perguntas para o colecionador. Foi lançado em 2009 e custa barato: R$ 25, em média, na Livraria Cultura.
Manuel Castells nasceu em 1949 e nem por isso acha que internet seja coisa de quem não conhece o mundo, a vida real. Para o sociólogo espanhol, pessoas que ficam de frente para o computador "têm mais amigos, saem mais frequentemente, participam mais politicamente, têm maiores interesses e atividades culturais [...] A internet expande o mundo". Vale ler a íntegra da ótima entrevista publicada, ano passado no El País (em português): aqui.
Em defesa do mais barato, e fazendo propaganda grátis, palpito: o rímel Colossal, da Maybelline, é o novo M.A.C Plus Lash, outra adorada máscara de cílios. E, o melhor, custa menos de R$ 20, vende na farmácia da esquina, e o design é muito mais divertido do preto, todo preto, que toma conta das embalagens de maquiagem. Acima, elegi um top three de cílios imbatíveis: 1 - Twiggy; 2 - Rita Lee; 3 - Nico.
Sabe aquela paixão arrebatadora, que te deixa sem chão, claramente alterado? Pode ser gripe. Mas também pode ser insolação. Insolação é o nome do primeiro filme do diretor Felipe Hirsch, e Temporada de Gripe (2003) foi um dos espetáculos montados pela sua Sutil Cia. de Teatro. “Quando fizemos o espetáculo, gripe era você cair numa paixão depois começar outra, melhorar, começar outra, cair de novo. E Insolação tem um pouco o mesmo sentido, são essas paixões que nós vivemos e que tendem a falhar”, diz.
Felipe assina a direção ao lado de Daniela Thomas, sua parceira profissional há quase dez anos, grande cenógrafa e codiretora de filmes como Terra Estrangeira e Linha de Passe, ambos de Walter Salles. O filme traz Paulo José, Simone Spoladore, Maria Luiza Mendonça, Leonardo Medeiros e Leandra Leal. “Todos eles podem ser o mesmo personagem porque sofrem, de alguma maneira, da mesma intensidade que a paixão gera na vida deles, mas também do mesmo desespero que ela falhe como qualquer outra utopia”, explica. Rodado numa área periférica de Brasília, a fotografia geométrica da cidade é refresco para os olhos, mas é também angústia para os corações mais calejados por amores e utopias fracassadas. A seguir, um papo que bati com o diretor para o site da Trip para Mulher, a Tpm.
O filme tem uma luz fria, azulada, não passa necessariamente a ideia de um lugar quente, apesar de os personagens estarem sempre suados. Onde é que está a insolação no filme?
Quando fizemos o espetáculo Temporada de Gripe (2003) do mesmo autor do filme, Will Eno, gripe era você cair numa paixão depois começar outra, melhorar, começar outra, cair de novo. E Insolação tem um pouco o mesmo sentido, são essas paixões que nós vivemos e que tendem a falhar. Existe um sol estonteante na cidade, mas existe um gelo muito grande dentro desses personagens. Eles estão sofrendo fisicamente com o sol, mas ao mesmo tempo existe esse contraste imenso. Uma frieza nessa busca emocional em relação às paixões que são despertadas ao longo do filme e da vida eles.
Então qual o sentimento comum aos personagens?
Estão vivendo ápices de paixões. E todos eles se confundem. Aquele homem mais velho que vive de restos de lembranças [Paulo José] se confunde com o homem de meia-idade que está querendo sair dali finalmente [Leonardo Medeiros], e que vê numa mulher que vem de fora a oportunidade para isso [Maria Luiza Mendonça]. Todos eles podem ser o mesmo personagem porque sofrem, de alguma maneira, da mesma intensidade que a paixão gera na vida deles, mas também do mesmo desespero que ela falhe como qualquer outra utopia.
É um filme com um olhar feminino ou masculino sobre a paixão? O filme tem gênero?
Não acho que o filme tenha gênero, acho que o universo tem gênero: ele é feminino. Vocês são tão mais interessantes, tão mais complexas e ligadas organicamente à vida que é difícil esse tipo de comparação porque vocês sempre vão ganhar. É um filme feminino porque a percepção do mundo e da vida é sempre mais delicada e complexa a partir da visão feminina.
Como você chegou a esses roteiristas ingleses (Will Eno e Sam Lipsyte)?
Desde 2003 a gente tem trabalhado junto. Quando nós começamos essa conversa eu disse que queria fazer um filme a partir de uma sensação intensa de amor, realmente um grande impacto amoroso. E aí a gente começou a pesquisar bastante literatura russa, descobri um grande teórico russo, Viktor Chklovsky, que deu origem ao Não Sobre o Amor, nosso penúltimo espetáculo antes do cinema. E aí, finalmente, chegou Brasília, que também foi uma grande revolução dentro da nossa história relacionada a esse filme.
Por que Brasília?
Brasília chegou antes como cenário. A Daniela me mostrou um ensaio fotográfico de um europeu que morou muito tempo em Brasília e que tinha um ensaio lindo da cidade, de uma região atrás dos monumentos, mas que não era periferia. A periferia de Brasília se afavelou e sofre dos mesmos problemas de qualquer outra cidade. Mas existe um cinturão de obras inacabadas, de uma arquitetura falhada e parada, esquecida, como um sonho que acabou e se refletiu de alguma maneira nesse lugar. E é realmente a utopia que acontecia no mundo naquela época e que chegou ao Brasil com a ideia de um país igualitário, de um novo país. E que, por incrível que pareça, fundou uma cidade, Brasília.
Cidade que um dia foi utópica.
E como qualquer utopia, tende a falhar. E falhou. Esses espaços esquecidos estão sendo reaproveitados por um menino que se apaixona pela primeira vez [Antonio Medeiros], por uma mulher que busca uma relação amorosa [Simone Spoladore]. Esses lugares que foram sonhados para uma outra coisa estão sendo reaproveitados para novos sonhos e novas utopias que também falharão. Brasília se tornou bastante conceitual dentro do filme, além de ser o cenário. É uma arquitetura emocional, mas é também um desenvolvimento conceitual de um filme que fala sobre utopia e paixões que falham.
O tempo no filme passa devagar, as pessoas parecem aproveitar o ócio...
É um filme de interior. Sabia que essa cidade seria pequena ou pelo menos focalizada e concentrada. Eu cresci numa cidade assim. Nasci no Rio de Janeiro, mas cresci em Curitiba, uma cidade onde eu tinha tempo para me apaixonar. E em São Paulo a gente só tem tempo para o que acontece de novo, novo... Mas existe toda uma partitura emocional de construção e fracasso de relações e de percepções muito mais delicadas nesses locais menores.
Quando você sentiu que era hora de fazer cinema?
Sempre fui um cinéfilo... As coisas acontecem de maneira muito natural na nossa vida – minha, da Daniela, do grupo. A gente já fez ópera, prêmios, show. Somos artistas e nos manifestamos. Isso pode acontecer hoje realmente em qualquer lugar. Lá no Festival de Veneza [onde o filme estreou, em 2009] a gente viu que nosso filme poderia estar tanto no Festival de Veneza como poderia atravessar o canal e chegar na Bienal de Artes Plásticas. As fronteiras são muito borradas hoje em dia, e não é um cross media duro, robótico, “prazer, eu sou o teatro” ou “prazer, eu sou o cinema”. As coisas podem conviver e crescer juntas.
O modo como você sofre de amor tem alguma coisa a ver com o filme?
Na vida pessoal minha tendência é ser muito racional... por fora. Acho que se eu sofro é algo muito íntimo. Mas me sinto privilegiadamente emocional e instintivo. Sou uma pessoa que trabalha com isso. Talvez eu saiba disfarçar melhor.
Espia: Frei Caneca Unibanco Artplex – rua Frei Caneca, 569, Centro. São Paulo – SP. Diariamente, às 14h.