Revista TPM

 
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Postado em 21.09.2011 | 17:09 | Clarissa Correa
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We heart it

 

Eu engordei depois que comecei a namorar. Alguém me explica por qual motivo o amor nos dá pneus? Eu sei, eu sei que casais adoram fazer tudo que envolve comida. Cinema, pipoquinha. Filme em casa, bolo de cenoura com cobertura de chocolate. Jantinha com amigos. Chocolates e outras guloseimas gostosinhas. Além disso, você já tem um bofe na mão, isso dá uma certa segurança. O grande problema é jogar tudo para o alto e se largar. Mas não era disso que eu queria falar hoje. Eu engordei depois que comecei a namorar. E quero emagrecer. E penso vou-emagrecer-porque-vou-me-sentir-melhor-comigo-mesma. Vou-emagrecer-porque-minha-autoestima-está-pedindo-de-joelhos-e-até-fazendo-promessa. Vou quando. Quando tal coisa acontecer.

Vou ser feliz de verdade quando deixar a propaganda e viver apenas escrevendo. Livros. Textos. Agora eu pergunto: qual escritor consegue efetivamente pagar as contas e ainda ter pequenos luxos? Dá para contar nos dedos, o que é uma pena. Por isso, ainda vou ralar muito, fazer muito freela e viver no mundinho da publicidade por mais uns bons anos. E tudo bem, tudo bem. Não vou morrer por isso. Mas vou ser feliz quando.

Minha vida vai ser completa o dia em que eu conseguir morar em uma cidade menos agitada, tumultuada e cheia de violência, grades e medo. Esse é um projeto a longo prazo. Ainda falta muito para ele acontecer. Mas vai acontecer quando.

Quero morar fora do país por um tempo. Pouco ou muito, ainda não sei. Mas agora ainda não dá. Vai dar quando.

Quero ter um bebê. Não agora. Por inúmeros motivos. Sou imatura emocionalmente, filho custa dinheiro, filho exige um tempo que agora não tenho, filho requer estrutura. Vou ter quando.

Hoje em dia todo mundo quer colocar peito. Mas eu sou do contra, do avesso, vou pelo outro lado. Quero tirar, são grandes, fazem minhas costas ficarem doloridas. Mas vou tirar quando.

Quando tal coisa acontecer. Quando tal dia chegar. Quando, quando, quando. Eu me adio. Você também. A gente vive se adiando. Colocando o presente no futuro. E me pergunto: vivemos com tudo? Com toda gana, com toda garra, com toda vontade? Será que vivemos? Ou será que ficamos esperando o quando chegar? Me questiono, brigo comigo, me chamo em um canto: ei, a vida é o que acontece agora.

A vida não vai acontecer só quando o quando chegar. Ela vive acontecendo a mil por hora enquanto o quando não vem. A gente precisa parar de colocar tudo na mão do coitado do futuro. O presente sofre com isso. Fica enciumado. Também temos a péssima mania de achar que o passado era o mais legal de todos. Nossa memória, curta, tem um filtro. Guarda o que foi bom e deleta as partes feias.

Na vida, minha amiga, a gente tem que andar com o Plano B dentro da nécessaire. Porque o mundo não para de girar. E o quando pode não chegar como você espera.

 

Chega mais: @clariscorrea
clarissacorrea.blogspot.com

 

 

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