Revista TPM

 
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Postado em 03.11.2011 | 16:11 | Clarissa Correa
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We heart it

Senhor, eu pequei. Na verdade, peco desde bem pequena. Pequei quando invejei a boneca Lu Patinadora que a Manoela, minha vizinha, ganhou. Pequei quando minha colega ganhou uma estrelinha a mais na prova de Ciências. Pequei quando invejei o cabelo da Camila, que cresceu mais rápido que o meu. Pequei quando senti inveja da Juliana, que tinha pais separados e, por isso, ganhava dois presentes, tinha dois quartos, dois banheiros. Pequei quando invejei minha amiga que transou pela primeira vez, mesmo sabendo que cada um tem a sua hora. Pequei quando o Guilherme ficou com minha ex-amiga, aquela vaca e eu morri, morri muito de inveja. Eu gostava tanto dele. E eu pequei tantas outras vezes mais.

Inveja é mesmo pecado? Se for eu certamente vou arder no mármore do inferno. Haram. Pecado grande. Já senti inveja de todos os tipos. E me desculpe: não acredito naquele papo de inveja branca, inveja preta. Inveja não tem cor, muito menos raça. Inveja é inveja e ponto.

É claro que nunca desejei que ninguém se estrepasse. Acho que tudo que a gente deseja de alguma maneira volta (cinco vezes mais forte). Mas eu já invejei, sim. Qual é o problema? Não sou santa nem pura. Já invejei quem ganhou muito dinheiro vendendo livro. Já invejei quem tem cabelo liso. Já invejei quem tem olho verde. E, desculpa, sinto inveja todos os verões. É bem difícil ver aquela mulherada sarada e gostosona na beira da praia. É difícil ver a força de vontade das colegas que comem alface, tomate e rúcula. E na hora da sede de cerveja gelada chupam uma pedra de gelo. E na hora da vontade de comer doce mascam um Trident. Bato palmas para essa gente. De verdade. Admiro quem levanta cedo e vai correr mesmo que o tempo esteja frio e nublado. Prefiro ficar embaixo das cobertas sonhando com o meu café da manhã.

Antes que você venha me dizer que acredita em inveja nude, por favor, preste atenção: não creio nisso. Sei que tem gente que sente inveja absurda a ponto de querer que o outro se ferre. Arma planos mirabolantes, puxa o tapete de todo mundo, quer subir na vida a qualquer custo, mente, engana e trapaceia. Tem gente que pensa: ela não pode ter nada, só eu. Eu penso assim: ela tem? Ah, eu também quero. Eu confesso: queria um par de pernas no melhor estilo Ivete Sangalo e uma bunda de parar o trânsito e a praia. Por enquanto, me contento com o que Deus me deu. E quando a preguiça dá uma trégua, me exercito. E quando a gula vai viajar, controlo o que como. É que não dá pra ser refém do corpo. Mesmo com inveja. A gente deve transformar a danada em algo positivo, em estímulo, em busca. Puta que pariu, a Juliana Paes emagreceu tudinho que ganhou durante a gravidez. Que inveja! Mas se ela consegue eu também posso (e olha que nem tive filho). Não posso?

 

 

Chega mais: @clariscorrea
clarissacorrea.blogspot.com

 

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