Revista TPM

 
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Postado em 11.01.2012 | 13:01 | Clarissa Correa
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Jake Cury

 

Desde bem pequena invento o meu mundo. É que lá fora é escuro demais, faz frio demais, é sujo demais. Descobri: é demais pra mim. Tenho um lado bem bobo que ainda acredita na bondade das pessoas. Só que a vida me trouxe um lado que desconfia, ergue a sobrancelha e fica com o pé atrás.

Nascemos puros, livres de máscaras e proteções. Com o tempo e os acontecimentos, vamos formando uma casa, uma armadura. E vamos, devagar e sempre, produzindo o veneno da ironia. Ser irônico às vezes é a melhor saída. Bem melhor do que gritar, falar novecentos desaforos e partir para a ignorância.

Nunca gostei de baixaria, bate boca e pontapés. Só que a minha paciência tem limite. Na verdade, acho que tudo na vida tem limite. Até mesmo a educação. Chega um ponto em que você perde tudo. Inclusive a paciência. Por isso, fala coisas e se arrepende, faz coisas que se arrepende, age na base do impulso.

Ninguém é de ferro nem santo, mas me choco com a maldade humana. Com falsidades, com gente que dá um sorriso aqui e faz bonequinho de vudu ali. É assustador. Sei que tem coisas que assustam – e muito. Ligar a televisão no Jornal Nacional, por exemplo, é uma das coisas mais desagradáveis que existe. Desabamentos, assassinatos, espancamentos, acidentes, desastres. Ler o jornal todo santo dia também não é muito legal.

Eu sei, sei que este é o mundo real. Mas juro que queria uma vida inventada. Não um paraíso cor de rosa, mas um mundo em que a gente não tivesse essa descrença nas coisas e nas pessoas. Um mundo em que você pudesse confiar no próximo. Um mundo em que não atropelassem uma criança sem prestar socorro. Um mundo onde um pai não matasse seus filhos para pendurar no varal. Um mundo onde não espancassem um cachorro até a morte. Um mundo onde uma mulher ciumenta não esfaqueasse o marido. Um mundo onde houvesse respeito, educação e limites. Porque isso está faltando: limite. Esse espaço é seu, aquele ali é meu. Vamos tentar conviver bem, sem invasões, sem alfinetadas, sem puxões de cabelo, sem golpes baixos.

Você não precisa ser melhor amigo do colega de trabalho, do vizinho do andar de baixo, do frentista do posto de gasolina, do motorista do carro ao lado. Só precisa ter educação e respeito. Se todo mundo pensasse assim o mundo só andaria pra frente e existiria bem menos violência.

 

 

Chega mais: @clariscorrea
clarissacorrea.blogspot.com

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