Revista TPM

 
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Postado em 10.03.2010 | 14:03 | por Leonor Macedo
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No capítulo anterior (e em todos os outros), a mãe da Rebecca, a Rebecca e a família toda da Rebecca pressionaram o Lucas para que ele fosse brincar na casa delas depois da aula. Não que ele precisasse ser pressionado para sentir vontade de brincar lá, porque para qualquer criança o lugar mais legal do mundo é a casa dos outros. Eu me lembro que quando eu tinha a idade do Lucas, felicidade era brincar na casa da vizinha, com os brinquedos da vizinha e, de preferência, sem a pentelha da vizinha. Felicidade plena era dormir na casa da vizinha ou de qualquer coleguinha da minha escola.

Na segunda-feira, combinei tudo com a mãe da Rebecca: ela o pegaria depois da aula na terça-feira e ele passaria a tarde toda lá. No fim do meu expediente, eu o buscaria, sem nenhum fio de cabelo na cabeça tamanha seria a minha preocupação de ter virado avó aos 27 anos.

No dia seguinte, cada uma de nós cumpriu a sua parte e às 18h30, pontualmente, eu toquei o interfone para chamá-lo. O prédio onde a Rebecca mora é bem próximo ao meu, mas bem diferente do meu. O dela é daqueles novinhos em folha, com o pé direito altíssimo (e o pé esquerdo mais alto ainda) e apartamentos com metros quadrados a perder de vista. Um prédio típico dos últimos anos aqui na Pompéia, que tem dividido o bairro em dois: os multimilionários da elite e os favelados da classe média. Eu estou no grupo dos jornalistas, logo abaixo.

Quando eu vi o prédio, até comecei a gostar da ideia daquele namoro porque eu tenho três opções de enriquecer:

a)      Casar com um homem rico;

b)      Ganhar na Mega Sena;

c)       Torcer para meu filho casar com uma mulher rica e generosa.

Considerando toda a sorte que eu tive em 27 anos e o fato de eu namorar um corinthiano-motoboy-da-ZL, quase subi para acertar o compromisso definitivo entre Lucas e Rebecca. Mas me lembrei que ela era de família judia praticante e enterrei meu sorriso no fundo da minha eterna pobreza.

Foi a Rebecca quem desceu até a entrada do prédio acompanhando o Lucas e ficou olhando-o até que ele se perdesse de vista.

**

A princípio, o Lucas não queria dar muitos detalhes de como tinha sido a tarde na casa dela. Até achei que ele tivesse descoberto o blog e nunca mais fosse me contar nada, mas ele acabou confessando:

- Foi legal…

Assim, meio xoxo, nada muito empolgante.

- Só legal?
- Ah, brincamos bastante. O prédio é bem legal: tem quadra, salão de jogos, piscina. Um menino chamado Lucas acertou uma bolada na minha cabeça que doeu muito.
- E a família dela? Conheceu o pai dela?
- Conheci. Ele foi bem legal e ele é corinthiano também.
- O que você almoçou? – minha mãe fez uma típica pergunta de avó.
- Arroz, feijão e carne.
- SÓ?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!? – minha mãe fez uma típica expressão de avó.

**

De noite, como faço todas as noites, li para ele antes de dormir e ele se queixou de uma dor na boca:

- Está sangrando, mãe?
- Não, Lucas! VOCÊ NÃO BEIJOU NA BOCA, NÉ?????????? – fui meio imbecil, confesso.
- Não, mãe. Tá louca?! Acho que machuquei a minha gengiva.

Depois da história do Capitão Cueca, ele me deu um beijo carinhoso e fez planos para voltar outras vezes na casa da Rebecca. E dormiu sorrindo.

**

Desde que esta história começou, no início de fevereiro, eu tenho pensado bastante em todos os relacionamentos que já tive e no meu atual também. Meus acertos e meus erros, principalmente, para procurar não repeti-los. No amor, a gente é bem feliz, mas a gente sofre e faz o outro sofrer.

Soa engraçado dizer que um namorico de crianças de 8 anos têm me feito refletir sobre o meu desempenho amoroso ao longo do tempo, mas é verdade. Deve ser porque fica tudo mais claro quando a gente vê de fora.

Quando um amigo ou uma amiga vem nos contar sobre seu relacionamento, procurando uma palavra de consolo, um conselho, um colo, quase sempre a gente sabe o que dizer. Porque a gente olha de longe, busca um dos nossos exemplos, daquilo que a gente já ouviu falar, de toda a nossa pouca ou vasta experiência. Mas aí quando o café acaba e a gente se despede, nós vamos embora para casa e continuamos a viver as nossas vidas, os nossos problemas, as nossas complicações, as nossas histórias. Nós até sofremos pelos nossos amigos, mas nós superamos bem rapidinho.

Com o filho é diferente. A gente acompanha tudo do começo, mesmo quando eles não contam para a gente. É um sorriso diferente que denuncia, um coração que bate mais forte a ponto da gente escutar, uma lágrima que marcou o travesseiro e ele nem percebeu. Quando o café acaba, a história continua ali dentro de casa. No começo, no meio e no fim. Se é feliz, é feliz. Se é triste, é triste. A gente supera na mesma intensidade e no mesmo tempo que eles (e estou preparada para viver assim todos os meus próximos anos de mãe do Lucas). E a gente quase nunca sabe o que dizer.

Deve ser isso o que nos faz pensar.

**

Se eu tivesse que apostar todas as minhas fichas em algo que eu acreditaria que fosse para sempre, certamente eu não teria apostado no relacionamento do Lucas e da Rebecca, por três motivos:

a)      Triste é aquele que só tem uma namorada em toda a vida;

b)      Se o Lucas puxou para mim, 98% dos relacionamentos dele durarão de 0 a 3 meses;

c)       Os capítulos 1, 2, 3, 4, 5, 6 e esse daqui.

Nestes sete capítulos, a Rebecca já ligou 17 vezes por dia em casa, já beijou o Enzo debaixo da escada, já ficou uma semana sem ligar, o Lucas já achou que tivesse terminado o namoro com o olhar, o Lucas voltou a namorar também com o olhar, enfim, não me parecia nada muito estável. As crianças não são muito estáveis. Ou melhor, o ser humano não é muito estável, mas as crianças me parecem um exemplo perfeito para isto: se naquele momento ela é muito feliz porque ganhou um chocolate, dali a cinco minutos ela será muito infeliz porque só vai poder comer o chocolate depois da sobremesa.

Mas as crianças também são muito intensas: quando ela ganha o chocolate, não há ninguém no mundo mais feliz do que ela.

Hoje, quando fui buscar o Lucas na escola, perguntei se ele não ia esperar pela Rebecca, pela Olga e pela mãe para caminharmos todos juntos, como sempre fazemos.

- Ela terminou comigo.

Como assim?

- Por que, Lu?
- Não sei. Ela não quis falar, mas acho que deve querer namorar outro.
- E você está bem?
- Estou.

Mas ele não estava. Estava confuso e triste porque ontem ele dormiu mais apaixonado e mais feliz depois de entrar um pouco mais na vida da Rebecca e hoje tudo aquilo parecia muito distante.

Eu estava ainda mais confusa. Como é que alguém era capaz de terminar com o Lucas? O menino mais lindo, mais inteligente e mais simpático da classe? Da escola? Do bairro? Da cidade? Do Brasil? Do Planeta? Ass: Mamãe.

- É uma tonta!

- Mãe, não fale assim dela! Ela é a minha ex-namorada e você tem que tratá-la bem!

Eles ficam sempre do lado delas e contra as mães, mesmo quando são pequeninos?

- Ué, eu estou te defendendo. Se ela terminou contigo que é lindo, inteligente e simpático, ela é tonta. Agora se você brigar com a mamãe para defendê-la, o tonto é você.

- Mãe, não me chama de tonto. Eu já estou muito triste.

Ok, a tonta sou eu. Foi bom eu ter aprendido cedo que se não tenho nada para dizer, é melhor ficar quieta.

Eu abaixei na rua e fiquei do tamanho dele. Abracei forte o Lucas e disse:

- Quer mudar de assunto ou quer conversar sobre isso?
- Como está tudo no seu trabalho?

E descemos conversando sobre jornalismo, terceiro setor, educação e tecnologia. Porque às vezes qualquer assunto é melhor do que pensar naquilo que dói.

**

No fim de cada um dos meus relacionamentos eu tive uma atitude diferente. Já quis mudar de assunto, já chorei até secar, já bebi até cair, já fui dura que nem pedra. Já me isolei e já procurei a ajuda de todos os amigos que eu tenho.

Mas era dentro da minha casa que as histórias nasciam e morriam. Este post é dedicado aos meus pais, que me deram colo independente dos meus acertos e dos meus erros. Mesmo quando também doía igualmente neles, mesmo quando não sabiam o que dizer.

Tags: Lucas
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Postado em 08.03.2010 | 08:03 | por Leonor Macedo
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O amor é enrolado em qualquer idade, qualquer época e qualquer lugar. Toda história renderia uma novela das oito, escrita pelo Manoel Carlos e adaptada para as areias do Leblon. A jornalista que tem a sua vida transformada quando conhece um motoboy. A mulher que namora o irmão mais velho, mas o trocaria pelo irmão mais novo. O palmeirense que se apaixona por uma corinthiana. A senhora que, depois de um casamento de 30 anos e três filhos, descobre que gosta de outras mulheres. O homem que namora outro homem que diz ser quem ele não é. O menininho que é ‘traído’ pela namoradinha na escola, termina o relacionamento com o olhar e volta com ela poucos dias depois porque quer brincar em sua casa depois da aula.

**

Lucas e Rebecca voltaram. No fim das contas, foi uma decisão acertada terminar com o olhar e não com palavras. Tomarei nota em minha mente para os meus relacionamentos, já que palavras costumam ser definitivas e olhares sempre deixam entrelinhas. Na hora de voltar com a Rebecca nada precisou ser verbalizado também. Eles simplesmente brincaram juntos, sorriram um para o outro e se divertiram juntos. Como todos os namorados deveriam fazer.

**

Na sexta-feira, fui buscar o Lucas na escola e ouvi um cochicho:

- Esta que é a mãe do Lucas…

Eu já me acostumei com esta história de perder a identidade e ser chamada de “A mãe do Lucas” por todo mundo. Quando olhei para o lado, vi a mãe da Rebecca comentando com a irmã mais velha da namoradinha do Lucas, que tem uns 18 anos. Dei um “oi” meio sem graça, de longe e esperei o Lucas voltar, desequilibrando com sua mochila pesadíssima e cheia de livros. Quando ele apareceu, ouvi um novo cochicho:

- Este que é o Lucas…
- Que alto que ele é. E que bonito! – a menina respondeu.

Lucas quis esperar pela Rebecca e por sua irmã gêmea, a Olga, para irmos todos juntos e conversando.

Falamos de coisas superficiais como o peso da mochila, a mensalidade da escola, a festinha do sorvete que aconteceria em outra escolinha do bairro (*), até que a sogra do Lucas voltou a convidá-lo para conhecer sua casa:

- Deixa ele ir na semana que vem?
- Combinaremos no começo da semana.
- Ela me enche o saco para o Lucas ir lá em casa.
- Ele me enche o saco para ir na sua casa também.

Enquanto tínhamos este papo, mais à frente caminhavam Lucas e Rebecca tagarelando e a rua se aproximava. Eu acelerei o passo para atravessar segurando na mão do meu filhote, que por sua vez segurou a mão da Rebecca.

Foi a primeira vez que pegaram nas mãos um do outro, meio porque são namorados, meio porque é perigoso atravessar a rua sem o apoio de um adulto. Ficamos ali os três de mãos dadas, em uma situação mais constrangedora para mim do que para qualquer um deles. Eu devo ter mudado de cor, mas não fui a única. A Rebecca também morreu de vergonha.

- Solta a minha mão – ela disse quando chegaram na calçada.

Ele soltou naturalmente. Eu continuei segurando na outra mão dele.

- Está com vergonha, Rebecca? – o Lucas perguntou.
- Não sei como você não morreu de vergonha, Lucas – eu disse.
- Não acho o Lucas tão envergonhado – observou a mãe de Rebecca. – Quando ele liga lá em casa, ele pede para falar com ela direitinho, pergunta como eu estou. Os outros meninos que ligam lá atrás da Rebecca não são assim…

PUTAQUEL, MEU! QUE OUTROS MENINOS LIGAM LÁ ATRÁS DA REBECCA, MEU CACETE????

**

Depois todas elas seguiram em frente e eu desci a Avenida Pompéia com o Lucas:

- Vocês estão firmes de novo, né?!
- Eu te disse que voltamos.
- Você até segurou na mão dela…
- … Pela primeira vez… – ele estava nas nuvens. – Sabe, mãe, a gente sempre vive dizendo um para o outro: “Te amo, Lucas”, “Te amo, Rebecca”…
- ÃHM? Mas ela morreu de vergonha só de pegar na sua mão!
- Ah, mãe. A gente fala que se ama pelo MSN. Pessoalmente a gente nem se conhece muito bem!

**

(*) Depois conto sobre a festa do sorvete!

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Postado em 25.02.2010 | 13:02 | por Leonor Macedo
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Crianças descomplicam absolutamente tudo. Quando o Lucas tinha uns 5 anos, ele chegava na praia, em Riviera, e saía perguntando para todas as outras crianças se alguma delas queria ser sua amiguinha. Menos de 10 minutos depois, todas as crianças da praia estavam sentadas juntas, cavando um grande buraco com as mãos até conseguirem achar água, mesmo com um oceano todo ao lado.

Ok, isto é complicar um pouco, mas qual adulto consegue fazer sequer um amigo cavando um buraco? O Lucas conseguia mais de 20. E no fim do dia se despedia de todos, sem dor no coração, para nunca mais vê-los. Ficava sempre tudo bem.

**

Rebecca passou longos dias sem ligar em casa. Até eu comecei a sentir falta. Depois de passados três dias da pergunta de como se termina um namoro, Lucas ainda não tinha arranjado coragem para terminar. É sempre difícil. Desde sempre.

- Já sei! Vou fazer por MSN!

Essa geração é realmente mais avançada porque eu demorei anos e anos para entender que isto era possível.

Mas a menina provavelmente não pagou o Speedy e ficou tempos sem conectar.

**

Um dia, fui buscar o Lucas na escola e logo à nossa frente Rebecca caminhava com sua mãe e sua irmã. Eles mal se olharam e a mãe, que por semanas me cumprimentou efusivamente, soltou um muxoxo ao invés de um sorriso.

- Vocês terminaram, né?

- Não com palavras, mãe.

- Como foi então?

- Ela me olhou diferente, eu a olhei diferente e pronto. Nós dois soubemos que estava tudo acabado.

Comunicação via olhar. Mais eficaz que MSN.

**

O mal estar entre os dois não durou nem 24h. Ela ligou, ele ligou, ela conectou, ele conectou, eles mandaram emoticons uns para o outro como dois bons amigos que nunca tinham brigado. Ontem voltamos da escola conversando todos: eu, Lucas, ex-namorada, ex-sogra, ex-cunhada.

Antes de nos despedirmos, a mãe da Rebecca disse:

- Deixa o Lucas ir lá em casa qualquer dia!

“Agora que eles terminaram, pode ser”, pensei.

- Deixo, claro. Vamos combinar.

E os dois logo ali em frente, rindo e brincando. Sem nunca terem precisado cavar um buraco.

Tags: Lucas
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Postado em 17.02.2010 | 15:02 | por Leonor Macedo
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ATENÇÃO: É ALTAMENTE RECOMENDÁVEL LER O CAPÍTULO 3 ANTES, PUBLICADO AQUI.

**

- Mãe, como se termina um namoro?

Não dá para não dizer que o Lucas perguntou para a pessoa certa. De todos os 175 namoros que eu tive, 174 terminaram. O que não terminou é o atual.

**

Deitada na cama ao lado do Lucas quis explicar para ele que não há um jeito certo de terminar um namoro. Que o fim nunca é numa boa, que sempre alguém sai mancando e de olho roxo na história. E que se tem algo que aprendi é que em uma relação meio a meio, realmente um dos dois sai perdendo 75%.

**

Fiz uma passagem rápida em minha cabeça dos fins dos meus namoros, até porque o Lucas estava ali, esperando uma resposta. Alguns foram bem traumáticos, outros foram como tomar um grande porre de vodka porque, por mais que eu force a memória, eu não consigo me lembrar. Eu já gritei, eu já chorei, eu já mantive a calma, eu já fui extremamente fria, já esperneei, já cuspi e já até bati. Eu já quis matar e já quis morrer.

Já terminei namoro pessoalmente, por SMS, por MSN, por gtalk, por e-mail, por telefone, por pombo-correio. Acho que se a tecnologia está aí ao seu dispor, a gente deve usufruir não só para ter uma geladeira que apita quando o refrigerante está gelado. Até porque eu tenho absoluta certeza que o Seu Graham Bell* inventou o telefone para não ter que terminar pessoalmente com uma garota.

**

Existem alguns mitos nesta história de terminar um namoro e este papo de não terminar pessoalmente ser considerado uma sacanagem é um deles. É um bocado novelesco ter que acabar com um relacionamento olhando nos olhos da pessoa, como se isto fosse evitar o fim. Como se a pessoa que vai terminar um namoro fosse voltar atrás porque olhando nos olhos da outra conseguiria perceber que tudo não está ruim, está ótimo. Que ainda há muito amor e que o fim, escrito todos os dias há uns seis meses, foi um equívoco.

Porque o fim nunca vem de uma hora para a outra. Mesmo a gente achando que é para sempre, o fim nunca chega de surpresa em um relacionamento. Ele se coloca entre o casal deitado lado a lado na cama, ele passeia de mãos dadas no shopping, aparece de repente para jantar, senta na cadeira detrás no cinema, te espirra água na piscina e, no caso do Lucas, beija a sua namorada debaixo da escada da escola.

**

Outro mito é de que terminar é pior do que “ser terminado”. Terminar é mesmo ruim, é como um pêlo encravado nas partes baixas, um espinho enterrado no saco (e eu nem tenho saco), um caco de vidro na garganta, um palito quebrado debaixo da unha. Terminar é um incomodo. Mas quando terminam contigo, por mais babaca que o cara seja e você saiba disso, sua auto-estima já era. Eu prefiro sempre bater a apanhar e nunca entendi quem diz que terminar um namoro é pior.

**

O terceiro mito é que só se termina com alguém quando não existe mais amor. Eu tive um relacionamento onde só existia amor. O resto tinha ficado em alguma dessas viagens que a gente fazia para tentar salvar o namoro. Escondido debaixo de um aerólito. Não tínhamos respeito, não tínhamos mais carinho, paciência, cumplicidade, tolerância, não tínhamos mais nada. Só amor. E aí em uma das nossas inúmeras brigas, eu terminei. Entupida de amor, que logo transformei em ódio e depois mágoa, de tanto que o filho da puta me sacaneou com gestos, palavras e tudo aquilo que se transforma em ferramenta para machucar o outro. Por uns meses, pensei que fosse morrer. Taí um outro mito porque a verdade é que a gente nunca morre.

**

Acho que o último mito, pelo menos o que me vem à cabeça enquanto o Lucas espera uma resposta, é de que não dá para ser amigo de ex-namorado. Eu sou amiga de todos. Bem, de quase todos, exceto o cara do parágrafo anterior. Mas todos os outros são meus amigos. O meu primeiro ex namorado não é amigo porque sumiu e não trocamos mais idéias, mas tenho absoluta certeza de que ele se lembra de nós dois com carinho. Tudo tem seu tempo e é clichê, mas é verdade: os dias, os meses e os anos são capazes de curar todas as feridas. Até aquelas que a gente acha irreversíveis. Se bobear, até aquelas do parágrafo anterior. Mas coloca uns 100 anos aí.

**

- E aí, mãe? Como se termina?

Ele é criança e vai ter muito tempo para descobrir.

- Como o seu terminou, Lucas?

- Ah, acho que não gosto mais dela.

- Por conta do que ocorreu com o Enzo?

- Também…

Pensei em dizer para ele colocar a culpa toda nisto, falar que ela agiu mal, que o Enzo agiu mal, que foi um absurdo o que aconteceu, que ela arrebentou o coração dele etc etc, porque eu também já terminei desta maneira, colocando a culpa toda no outro. Se existem mitos ao acabar um relacionamento, existe também uma verdade absoluta: quem conta a história do fim tem sempre razão.

- Então fala a verdade, Lucas. Diz para ela que o que aconteceu fez você se desinteressar pelo namoro e que agora você não gosta mais dela. Dói ouvir que alguém não gosta mais de você, mas ela não vai morrer, pode acreditar.

- É, vou dizer isso. E vou investir na Morgana…

- Isto você não diz!

**

Parece que hoje eles vão conversar pelo MSN e vão resolver as coisas. Conhecendo o Lucas, eu tenho absoluta certeza de quem é que foi que saiu perdendo 75% nesta história, curta, mas para sempre.

**

* Escrevendo este post, eu descobri que o Graham Bell não inventou o telefone, mas sim Antônio Meucci, italiano, que vendeu a patente pro tal do Bell. Lê lá: http://pt.wikipedia.org/wiki/Alexander_Graham_Bell.

Tags: Lucas
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Postado em 09.02.2010 | 12:02 | por Leonor Macedo
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O namoro do Lucas tem novos capítulos todos os dias. E, como todo namoro, já tem altos e baixos.

Alto:

- Mãe, a Rebecca também é corinthiana. Passei o recreio inteiro ensinando musiquinhas de estádio para ela.

Baixo:

- Mãe, estou me sentindo pressionado. A Rebecca não pára de me chamar para ir à casa dela. O que eu falo?

- Diz que a mamãe não deixa.

Alto:

- Mãe, a Rebecca me deu um carrinho de presente!

Baixo:

- Mãe, me dá um dinheiro para comprar um presente pra Rebecca? Preciso retribuir o que ela me deu.

**

Mas o que mais me chocou foi esse diálogo pelo MSN. Preciso parar de ler as conversas do meu filho.

Lucas diz:
oi amor

Rebecca diz:
oi corinthiano
lucas

Rebecca diz:
Lu

Lucas diz:
oi

Rebecca diz:
ta dormindo?

Lucas diz:
não

Rebecca diz:
intão

Lucas diz:
o que

Rebecca diz:
seila

(…)

Rebecca diz:
Lu
aloo

Lucas diz:
oi

Rebecca diz:
oque vc ta vasendo?????????????????????????????????

Rebecca diz:
lucas me renponde

Lucas diz:
o que?

Rebecca diz:
que vc ta vasendo
???????????????????????????????????????????????????????????/
???????????????????????????????????????????????????????????/
????????????????????????????????????????????????????????????

Lucas diz:
conversando com vc
ora

Rebecca diz:
eu falo alguma coisa e vc não me responde
so depois de um tenpão

Lucas diz:
è

Rebecca diz:
ta

Lucas diz:
ta o que

Rebecca diz:
tabom
iai vc vem na minha casa

Lucas diz:
te amo
não

Rebecca diz:
e eu te adoro

Lucas diz:
vc  è uma gatinha

(NOTA DA SOGRA: Lucas virou mesmo um homenzinho. Olha a estratégia do garoto para mudar de assunto: “Vem na minha casa conhecer meu pai, Lucas?”, “Te amo, Rebecca”. “Estou gorda, Lucas?”, “Te amo, Rebecca”)

Rebecca diz:
meu

Lucas diz:
o que?

Rebecca diz:
vc vai comesar de novo
de novo

Lucas diz:
com o que

Rebecca diz:
de vc  fica falando de mim que vc sabe que eu fico com vergonha
lucas
alooooooooooooooooooooo

Lucas diz:
ta eu paro

Rebecca diz:
para mesmo

Lucas diz:
paro

Rebecca diz:
fala assim
eu te amo muito

Lucas diz:
eu te amo muito

(…)

Rebecca diz:
se ouvil o telefone
era eu
gosto

Lucas diz:
liga então

Rebecca diz:
ligei

Lucas diz:
è

Rebecca diz:
fala auguma coisa
se não eu vo na piscina
que eu to esperando para ir na piscina
a vem na minha casa
porfavorr
pera ai
vc pode vir aqui

Lucas diz:
oi
perai
vou te ligar

Rebecca diz:
fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala falqa fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala
fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala
fala fala fala fala fala fala

Lucas diz:
Rebecca vai pro telefone
vou ligar

Rebecca diz:
não eu te ligo porque o a vc sabe

Lucas diz:
vai ligar?

Rebecca diz:
não não liga eu te ligo o telefone que vc tem não ta fonsionando

**

“Fonsionando”. Tava na cara que era corinthiana.

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Postado em 08.02.2010 | 12:02 | por Leonor Macedo
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Postado em 04.02.2010 | 12:02 | por Leonor Macedo
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“Aqui jaz a minha sogra que viveu enchendo o saco,
não tendo mais o que encher,
veio encher esse buraco.”

(Desconhecido)


Sogra do mês

Virei sogra. Não estava preparada ainda. Eu sabia que um dia isso iria acontecer, mas achei que fosse ser em 2025, mais ou menos. Não com um filho de 8 anos.

Até então eu só tinha sido meio sogra. Só gra. Ou melhor: ogra. Porque o Lucas tinha namorado outras cem vezes, mas as meninas não. Ele namorava sozinho. Milenca, Giovana, Gabriela, Morgana. Elas nem imaginavam que já tinham tido o seu primeiro namorado.

**

Não sei ser sogra. Já experimentei de vários tipos: nova, velha, palmeirense, corinthiana, descolada, reacionária, legal, chata, boa cozinheira, péssima cozinheira, que me fazia rir, que me fazia chorar, maldita, abençoada, mãezona, sogra sogra. Me dei bem com a maioria delas, mesmo quando tive que engolir uma sopa de couve ou um caldo de chuchu com macarrão integral. Ainda assim, perdoei.

Se eu tivesse feito um filho aos 30 e meu filho tivesse arrumado uma namorada aos 30, eu seria daquelas sogras com dupla personalidade, que faz um cachecol para a nora e em seguida envenena os bolinhos de chuva.

Se eu tivesse feito um filho aos 19 e meu filho tivesse arrumado uma namorada aos 15, eu seria daquelas sogras que dá o primeiro porre na nora e vai parar na cadeia depois de ser processada por oferecer bebida alcoólica para menor de idade.

Mas eu fiz um filho aos 19 anos e o dito cujo resolveu arranjar a sua primeira namorada aos 8 anos! Agora eu não posso nem dar um porre de cerveja na criança sem matá-la, muito menos envenenar bolinho de chuva. Porque eu não sei fazer bolinho de chuva!

**

O Lucas sempre namorou sozinho até conhecer a Rebecca. Foi tudo muito rápido, uns dois dias depois de conhecer a Morgana. A Rebecca também é da escola nova do Lucas. E tenho que dizer, meninas, que a Rebecca podia fazer uma apostila de abordagem masculina porque venderia como água.

Acompanhe:

Na segunda-feira desta semana, a Rebecca se tornou amiga do Lucas. Na terça-feira, ela pediu seu MSN e telefone. Ligou 17 vezes durante a tarde, sem exagero. Lá pela 16ª vez, o Lucas já estava escondido de medo da Rebecca e não podia nem ouvir o telefone tocar que começava a tremer. Tive que mentir e dizer que ele havia saído, porque senão teríamos a madrugada toda de telefonemas. Na quarta-feira, ela deu uma sumida e o Lucas sentiu sua falta. Até que ela conectou no MSN de noite e apareceu na webcam para ele, com um monte de emoticons de coraçãozinho. Nesta altura do campeonato, a Morgana já tinha ido para o espaço. Hoje a mãe dela me cumprimentou na porta da escola e eu achei aquilo tudo muito estranho.

**

Na volta da escola, o Lucas me contou:

- Mãe, acho que a Rebecca gosta de mim. Ela me olha a aula toda.

- Ih…

- Toda vez que eu olho, ela olha…

- Ih…

Aí chegamos em casa, não deu nem 5 minutos e a pentelha Rebecca ligou. Eu disse que ele ia almoçar e que ligasse depois. Vim trabalhar e minha mãe me contou via gtalk:

- O Lucas está há meia hora no telefone com a menininha, fechado no quarto.

E me mandou a seguinte conversa, que o Lucas deixou aberta no MSN:

Lucas diz:
porque na aula voce fica o tempo todo olhando para mim?

Rebecca diz:
eu não fico

Lucas diz:
fica sim
não minta

Rebecca diz:
eu não to mintindo

Lucas diz:
ta sim
fala a verdade

Rebecca diz:
não to

Lucas diz:
eu quero a verdade
vc gosta de min?
não tenha vergonha de falar a verdade
e ve se fala a verdade

Rebecca diz:
fala vc primeiro sinao eu não falo

Lucas diz:
eu não vou falar para niguem
isso e verdade

Rebecca diz:
senão eu não falo

Lucas diz:
ta eu falo

Rebecca diz:
fala

Lucas diz:
vc promete que não conta para nimguem

Rebecca diz:
sim eu juro

Lucas diz:
verdade

Lucas diz:
quer dizer que vc gosta de min?

Rebecca diz:
descubril
descubriu

Lucas diz:
liga para min

Rebecca diz:
ta

Lucas diz:
ta bom

Rebecca diz:
pera

**

Não deu cinco minutos desta conversa com a minha mãe e ele me chamou no MSN:

Lucas diz:
mãe

Leonor Macedo diz:
oi amor

Lucas diz:
Não fala para niguem
eu vou te contar uma coisa

Leonor Macedo diz:
conta sim
pode contar
não vou falar pra ninguém

Lucas diz:
eu to namorando a Rebecca

Leonor Macedo diz:
tá namorando????

Lucas diz:
sim

Leonor Macedo diz:
você gosta dela???

Lucas diz:
sim e ela de min

Leonor Macedo diz:
mas como é namorar, Lu?
namoro de criança é diferente, né?

Lucas diz:
è
esse namoro è dar as mãos

Leonor Macedo diz:
só isso, né?

Lucas diz:
é sim

Leonor Macedo diz:
você é um fofo!

Lucas diz:
so sim

**

Não deu cinco minutos, eu chamei minha mãe no gtalk, mas esqueci que quem estava usando o computador era o Lucas:

eu: MORRI

Rosemarí: porque

eu: ele tá namorando
pediu pra não contar pra ninguém
vou contar pro mundo já já
mas você não sabe, hein?

Rosemarí: sou eu mãe, no gtalk da vovó
e não conta para o mundo, purfavor

**

Sou uma vaca de estar aqui dividindo isso com vocês.

**

Parece que nesta conversa de meia hora pelo telefone que ele e a Rebecca tiveram, ela o pediu em namoro. E ele aceitou. Porque se convenceu de que ama a Rebecca.

“Foi um verdadeiro milagre alguém ter aceitado namorar comigo, mãe”, ele me disse pelo telefone. Lindo daquele jeito. Homem é tudo besta.

Então expliquei para ele que ele só tinha 8 anos e que era natural que nunca ninguém tivesse aceitado namorar com ele. Contei da corrente que acredita que a vida começa aos 40 e pedi para que ele pensasse nisso.

- Tá, tá… Quando eu posso chamá-la para vir em casa?

**

Alguém sabe uma receita rápida de bolinho de chuva?

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Postado em 03.02.2010 | 13:02 | por Leonor Macedo
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O Lucas para a madrinha:

- Dadá, você se importaria se eu soltasse um punzinho silencioso?

- Sim, me importaria. Por que?

- Porque eu já soltei três.

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Postado em 27.01.2010 | 16:01 | por Leonor Macedo
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Durante 2009 todo, o Lucas foi apaixonado por uma menina da escola chamada Gabriela. A Gabriela era realmente bem bonitinha: tinha os olhos verdes e usava maria-chiquinha dos dois lados do cabelo.

Na primeira vez que a vi, ela estava com a cabeça espremida em uma touca porque dali a cinco minutos faria uma aula de natação e mesmo assim a achei bonitinha. Um caso raro de bom gosto infantil, já que a primeira menina que o Lucas gostou na vida se chamava Milenca, era uma ciganinha e tinha os dentes podres. Quem já não fez merda nesta vida, né?

Nas férias de julho, o Lucas não deixou de falar na Gabriela um só dia. Pela primeira vez ele descobriu o quanto dói uma saudade e contou os minutos para voltar para a aula. Quando voltou, teve sua primeira desilusão amorosa:

- MÃÃÃÃÃÃÃÃE, O QUE ACONTECEU COM A GABRIELA?????? ELA TÁ… TÁ… TÁ BANGUELA!!!!!!

Mas os dentes crescem e o amor sempre renasce: poucos meses depois, ele recomeçou a falar na Gabriela como se ela nunca tivesse tido seus dias de Tião Macalé.

E o namorico ia bem: ele continuava olhando a menininha de longe, cheio de vergonha, e ela, sempre que se aproximava dele, metia-lhe a mão. Parece que, às vezes, quem metia-lhe a mão era a melhor amiga da Gabriela, cheia de ciúmes.

**

Paralelo a isso, eu e Lucas tomamos a decisão de que em 2010 ele trocaria de escola. Estudaria em uma mais perto de casa, com outra professora, sem o demente do professor de Educação Física, com mais diálogo entre família e direção, talvez.

Lucas se empolgou com a possibilidade de fazer novos amigos, de ficar longe do professor de Educação Física, de estudar pertinho de casa e nem se lembrou de que não veria mais a Gabriela.

Até chegar o penúltimo dia de aula:

- Mãe, amanhã é o último dia de aula e preciso dar um jeito de pegar o telefone da Gabriela porque senão não vou mais vê-la.

- E como vai fazer, Lucas?

- Não sei, mas só há um jeito de conseguir o telefone dela: se a Carol não for. Ela é uma amiga muito ciumenta, mãe. Não me deixa chegar perto da Gabriela.

Mulheres…

**

No dia seguinte, Lucas me ligou depois da festinha de encerramento:

- Mãe, tenho uma notícia boa e uma má. Qual você quer primeiro?

- A boa!

- A Carol não foi para a escola hoje!!!!

- Que bom, Lucas! Pegou o telefone da Gabriela?

- Essa era a notícia má. Eu esqueci!

Homens…

**

Então ele saiu de férias e, verdade seja dita, falou na Gabriela todos os dias. Quando eu voltei do Rio e ele ficou por lá, ele me chamou no MSN para pedir que eu comprasse o livro O Poder do Amor, que ele tinha visto na Livraria da Travessa:

Leonor Macedo diz:

qual é o livro que você quer?

poder do amor?

Lucas diz:

o poder do amor

Leonor Macedo diz:

por que você quer esse livro?

Lucas diz:

não fala isso pro titio, tá?

Leonor Macedo diz:

mas por que você quer?

Lucas diz:

por que esse livro me faz lembrar de uma pessoa

Leonor Macedo diz:

você tá com saudade dela?

Lucas diz:

to

Leonor Macedo diz:

e como vamos fazer pra achá-la agora que as aulas acabaram?

Lucas diz:

com o livro eu lembrarei dela

Leonor Macedo diz:

vou comprar para você, tá?

onde vende esse livro?

Lucas diz:

na livraria travessa na parte infantio

Leonor Macedo diz:

tá, vou comprar, tá?

quando você chegar estará aqui

Lucas diz:

e valeu por você ter dito que compra pra min

você já vai gastar 700 reais

Leonor Macedo diz:

com o que?

Lucas diz:

o meu material escolar

=~~

**

Minha mãe comprou o livro na Livraria da Travessa e ele continua em casa, jogado em um canto, ainda dentro da sacolinha.

- Eu nunca vou esquecer a Gabriela, mãe. Nunca!

Ele repetiu essa frase umas 300 vezes durante os últimos dias de férias.

- Tomara que não, Lucas. Mas tomara que encontre um novo amor, na nova escola.

- Nunca, mãe! Ela será eternamente o meu amor.

**

Hoje começaram as aulas do Lucas e eu fui buscá-lo.

- E aí, Lucas? O que achou da escola nova.

- Gostei muito. Ah, e estou apaixonado por uma menina da minha sala. Você acertou…

- É???? Já???? Qual é o nome dela????

- Não me lembro, né? Hoje é só o primeiro dia!

Na hora do almoço, ele se lembrou:

- Morgana!!! Meu novo amor se chama Morgana!!!

**

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Postado em 11.01.2010 | 09:01 | por Leonor Macedo
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Dia desses, o Lucas estava assistindo aquela novela do macaco (ele assiste todas, se deixar) e a protagonista tinha tido um filho prematuro, que foi direto para a incubadora.

- Vó, eu também nasci antes da hora e fui para esse negócio, né?

- Não, Lucas. Você nasceu certinho, de 9 meses.

NOTA: É bem verdade que ele nasceu de 8 meses e meio porque foi tirado antes da hora, já que nasceria gigante – com mais de 5 kg – se tivéssemos esperado completar os 9 meses.

- Vó, como assim eu não nasci antes????? A mamãe sempre fala que quando eu nasci, ela tinha 19 anos. O melhor seria que ela tivesse uns 25, 26…

Tags: Lucas
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