Revista TPM

 
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Postado em 26.04.2011 | 17:04 | Lia Bock
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Com passar dos anos você descobre que seu maior concorrente é um Tamagochi wireless que não é, sequer, à prova d'água

O tempo é cruel com todo mundo. E não são apenas os seios e a pálpebras que amolecem. As regras da convivência a dois também sofrem com o rodar do calendário. Vão afrouxando ano a ano e atitudes que pareciam impossíveis no início da relação vão se tornando frequentes e cada vez mais acentuadas. Como já discorri longamente sobre flatos e sinfonias afins na vida a dois, fiquemos no afrouxamento das regras quanto ao uso do celular.

  Primeiros meses: seus olhos brilham, beijos e agarros públicos mal te deixam perceber que o ser amado porta um aparelho de celular. E, se a única pessoa que importa está na frente, até o mais viciado esquece de carregá-lo. Além do mais, as mãos estão ocupadas demais e o mundo, por mais urgente que possa parecer, pode esperar até amanhã.

  Segundo semestre: nesse período o aparelhinho começa a se fazer presente. Aparece em cima da mesa do café da manhã, do jantar... Até aquele fatídico dia em que ele (culpemos os homens por ora) precisa atender uma ligação urgente do chefe. Ele chega a ficar sem graça, levanta e se afasta, mas não sem antes te dar um beijo e pedir desculpas. “É urgente”, você pensa.

  Um ano: desde a ligação do chefe as regras só se afrouxaram (e em velocidade galopante). Pouco tempo depois ele já atendia o chefe e os subordinados e nem sempre parecida urgente. Daí para começar a atender a família foi um pulo. Dado que ao completar um ano de relacionamento os telefonemas se tornaram verdadeiramente frequentes. Você pensa: “Onde estavam essas pessoas que não ligavam antes? Pelo menos ele continua se levantando...”.

  Um ano e meio: como as ligações continuaram crescendo em Progressão Geométrica o mocinho parou de levantar. Na sequência, as ligações diminuíram um pouco, mas agora ele bate altos papos sentado na sua frente. E costuma dizer “Posso falar sim, diga lá”. Você fica puta, mas prefere pensar: “Gosto dele mesmo assim...”.

  Dois anos depois: como diz a minha avó “onde passa boi, passa boiada” e agora você disputa a atenção do candidato a marido com milhares de jogos, aplicativos e sites que entram pelo pequeno grande monstro 3G. Você pensa: “Preciso comprar umas lingeries novas e, talvez, pintar o cabelo...”.

  Três anos depois: cinta-liga, dadinho de posições exóticas, uma televisão maior, livros de arte... Você investiu seriamente na sua equipe, mas a verdade é que o pequeno monstro tem ganhado a concorrência. O TweetDeck passa a ser uma questão frequente na sua terapia. Afinal, essa concorrência parece um pouco injusta. Como você pode ser mais interessante do que milhares de seguidores, links internacionais e frases de efeito? Você pensa: “Tenho certeza de que ele sonha com uma mulher que só fale frases com 140 caracteres”. Você começa a considerar procurar um psiquiatra.

Se animar, leia também máquina mortífera, sobre essa mesma guerra inglória.

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Postado em 14.04.2011 | 18:04 | Lia Bock
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O Ministério da Saúde adverte: uma boa pegada pode mudar o dia, o mês, a vida

  Quando um homem não consegue ou não pode dizer alguma coisa que gostaria muito, ele pega no seu braço. Mas não é qualquer pegada que vem com um texto bonito embutido... tem que ser na altura do bíceps, forte (mesmo), quase incômoda e com os olhos atravessando os seus. Pensando bem, acho que são os olhos que dizem, o aperto é apenas para que seus olhos subam e alcancem a íris em frente. Dali saem textos mudos e lindos dos mais variados tipos. Pode ser desde “estamos juntos nessa, amor” até “casa comigo” ou “seu eu pudesse te arrastava pra minha casa agora”. A pegada no braço tem boa chance de acabar em uma deliciosa noite de troca de fluidos (e, dizem, até em casamento) mas mesmo que não chegue nesses estágios pode curar dores musculares e autoestima baixa.
  Já o “vem cá, minha nega”, que te encurrala num cantinho qualquer da casa, pode curar vários tipos de moléstia, de depressão a enxaqueca passando por azedume crônico. Mas (infelizmente) não é qualquer guento que traz as benesses do verdadeiro “vem cá, minha nega”. Para ser milagroso ele precisa ser na parede, na pia ou afins, ter um puxão de cabelo firme, enlace redondo na cintura e barba malfeita na nuca e no pescoço. Se não, pode até ser gostoso, mas não serve para fins medicinais. Um “vem cá, minha nega” por mês para cada ser do sexo feminino e poderíamos decretar o fim do mimimi. Imagina só? Ia sobrar terapeuta, antidepressivo, chocolate e rockzinho emo.

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Postado em 07.04.2011 | 17:04 | Lia Bock
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Nada como um perrengue básico para unir o que a vida-como-ela-é é mestre em distanciar

 


É preciso deixar bem claro que não estou incentivando ninguém a furar o pneu do próprio carro nem a perder intencionalmente o passaporte durante uma viagem. Mas a constatação é real: nada como um perrenguezinho vivido em dupla para unir o que as vacas, a toalha molhada em cima da cama, a louça na pia e os cabelos no box insistem em tentar separar. Aquela corrida obrigatória carregando malas para não perder o voo, a tentativa conjunta de salvar os móveis da água que inunda a casa, a busca desesperada pela mala esquecida no metrô... Momentos de pequeno desespero que podem render boas risadas no fim e são capazes de unir o que a vida-como-ela-é é mestre em distanciar. Nesses momentos percebemos que a união faz a força.
Claro que viver imerso em pequenos problemas não faz bem a ninguém, mas em alguns momentos  a necessidade de trabalhar em dupla pode fazer milagre pelo casal. E ali, no meio do caos, pequenos ou grandes atritos podem ser dissipados pela cumplicidade de um olhar ou um secar de lágrimas seguido pela velha e boa frase “Vai dar tudo certo, amor”. E assim, mesmo que por alguns instantes (dias, quem der sorte: meses), há uma história para contar em que, finalmente, 1 + 1 é igual a tudo!

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