Alô? Alguém viu algum humano por aí? Daqueles com nervos, defeitos e que fazem xixi no mato?
Não sei se é um fenômeno localizado ou se o vírus da exigência se espalhou descontroladamente. Algo me diz que estamos vivendo o auge de de uma febre yuppie intelectual passiva. As pessoas não tomam mais vinho de garrafão; espumante? Nem pensar, ou é prosseco ou melhor água mesmo – não da torneira, claro. Até a velha e boa pinguinha tem que ter grife ou pedigree. A exigência é tanta que se espalha até pelos sanitários: ui, acabei de ofender os toaletes. Banheiros, então... datou. Se não for lustroso, perfumado e com sabonete líquido, não serve. Parece que foi outro dia que as pessoas agachavam ali no matinho e pronto! Mas agora não! O carro tem que ter ar-condicionado, o aplicativo tem que ser baixado em sua última versão, as mulheres têm que ser esculpidas e barriga chega a ser ofensa.
A exigência é progressiva e viciante. Nada está bom, nunca. Antes fossem apenas os chefes os seres picados por esse mosquitinho, mas hoje tem marido, amigo, vizinho e até estagiário fazendo cara de nojinho pra você. Foto com celular e não é Hipstamatic? Hello? A fila anda! As vezes parecemos um bando de gente torcendo o nariz para a coxinha no almoço sem nos darmos conta de que estamos na rodoviária! Todo mundo é fino, limpo, equilibrado e aspirante a conde.
Depois as pessoas não sabem por que brigam no trânsito. Por algum lugar tem que sair a humanidade que há em nós. Ainda bem que na intimidade todo mundo sente o cheiro do seu próprio peido.
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“Eu pensei que você ia pensar que eu pensei...”. Sei!
Mentir às vezes é necessário. Omitir, principalmente (o que, dependendo do tamanho, pode ser enquadrado na categoria de mentira, certo?). Mas, independente do enquadramento dado para a ação, ou você é muito bom no que faz ou é melhor ser verdadeiro mesmo. O mundo das inverdades não foi feito para amadores. Até porque quem mente pra valer, quem é bom nesse esporte, sabe que a regra número 1 do crime perfeito é: não minta à toa. Sim, porque ser pego no pulo é degradante para qualquer um, mas ser pego em um pulo sobre uma poça insignificante é muito pior! Bora arregaçar as calças e cravar o pé na poça de nossa humanidade? Muitos irão se surpreender como a aguá não chega nem a molhar a bainha...
Mentira é caso sério! A gente só mente quando precisa muito, certo? Não, errado. O povo anda mentindo por motivos cada vez mais torpes. Pra quê? Mentira é que nem crime: se for em legítima defesa até dá pra perdoar, mas se for por mania ou esporte, dá cadeia!! Então, bora assumir nossa condição de imperfeitos e falar umas verdades! Como já diria a filósofa Rena Lanari, “a verdade pode até doer, mas liberta”. Recebeu uma mensagem nitidamente alcoolizada fora de hora? Coloca na roda! Acabou a noite numa festa estranha cheia de siliconadas recusáveis? Conta tudo! Já tá enrolado com outra gata? Assume! Pra que gastar lama onde só tem uma aguinha, pessoal? E não me venha com aquele “eu pensei que você ia pensar que eu pensei...”. Páputaqueupariu as pequenas mentiras e seus grandes negócios. #prontofalei
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Naquele momento quando tudo parece estar perdido e o único caminho viável parece ser seguir a placa “fim”, nada melhor do que abrir a pasta de fotos. Lembrar daqueles momentos de sintonia e felicidade em que juramos ficar juntos pra sempre, se não renova, pelo menos enche de alguma coisa que não seja mágoa e tristeza. É impossível não amar o que fomos quando estávamos amando. Cúmplices. É impossível não sorrir com o sorriso que demos quando, a dois, decidimos alugar aquele ap. É bom lembrar que escolhemos estar aqui e que nem sempre fomos o emaranhado de problemas que somos agora. Aquela foto em que exibimos nossas alianças com orgulho traz toda a alegria que nos invadiu há alguns anos, quando eu jurei que duraríamos mais do que o sofá... Abrir o arquivo de fotos é ver que não fracassamos, simplesmente deixamos de vencer. É diferente. Ali, naquelas imagens sem cortes, está tudo que deixamos de ser, está tudo que se curva gentil (cúmplice) e anuncia: vai!! Siga teu rumo e esteja pronto pra começar tudo de novo. Não há saída que não leve a algum lugar.
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Algumas coisas são melhores do que pensar que ele vai te tratar como trata a própria mãe!
Na vasta cultura popular, reza a lenda que para saber como um homem vai tratar sua mulher depois de alguns anos basta ver como ele trata a própria mãe. Dizem até que não devemos nos deixar ludibriar por frases como: “Não, benzinho! Não dá pra comparar você com a minha mãe...”, e desculpas do tipo. Não tenho certeza se a regra vale, mas analisemos nossas possibilidades sob estas ótimas:
– Mamãe eu quero: está sempre querendo atenção, querendo mais, independentemente do que fizer ou quanto se esforçar a pobre mãe. (Imagina só, você dando casa, comida, roupa lavada, orgasmo tântrico, presentinho fora de hora e ele querendo sempre mais!? Ui...)
– Me dá um beijo, dona Maria: cobre a mãe de afagos e mimos, mas ela ainda acha que ele não bebe, pensa que nunca usou drogas e ainda não sabe que, há seis meses, ele está circulando de moto. (Marido perfeito para quem quer joias e chifre. Caso você não esteja neste grupo, a chance de você virar uma stalker paranoica é grande.)
– Porra, mãe: estão sempre ranhetando, reclamando e criticando, de preferência em frases monossilábicas. (Resumindo: você será a princesa até tirar o vestido de noiva. Daí pra frente, chuchu, vai ser gata borralheira mesmo!)
– Mãe, que mãe?: é difícil saber como eles se relacionam, nas poucas vezes em que se frequentam ele a ignora solenemente. (Se você não se importa em ter um marido que não sabe quanto você calça, não sabe qual o seu sorvete preferido, o ponto do bife que você mais gosta e também não se importa com detalhes como qual a sua viagem dos sonhos, esse aqui até que dá pro gasto.)
Conclusão: qual o próximo post mesmo???
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