Marina Herriges/Reprodução
Ânimos remexidos não deixam a estagnação aportar.
Que bom! Mas andamos com uma tendência coletiva ao apedrejamento.
Vi ontem um show do Guns n' Roses, ou de Axl e banda, como queiram, que me emocionou muito e que me acompanhou no juízo o dia de hoje inteiro.
Beleza é um troço que depende do que e por quem e a opinião de um monte de gente se impor sobre as das outras pessoas todas é um troço agressivo, mesmo que assim não se sinta.
O que eu, comigo mesma, vi hoje no palco do Rock in Rio, depois das 2 e meia da matina, foi um cara impressionante, um cantor do caralho, com o palco na palma da mão e uma beleza que não carece de bons contornos aos nossos olhos estúpidos pra transbordar.
Não esperei na chuva, porque tive que voltar pra casa, mas esperaria.
Sentada na cama fiquei, torcendo muito pelo ex gato incrível, menudo do rock, que cantava muito e dominava tudo por onde passava e que acuado pela opinião pública estava, fosse pela pança acumulada ou pelo envelhecimento da carcaça e da voz.
Sou a favor dos deuses. Bastava uma das tantas sensações incríveis, que o ex gato tivesse me causado, por qualquer umazinha delas apenas, do meu panteão pessoal ele faria parte e de lá não sairia por nada.
Porque que de lá não se sai. Uma vez deus ou deusa, tudo que lhe acontecer de estrupiante, tudo que lhe perecer o semblante, não lhe quebra o balanço divino. Fodam-se nossos olhos que se julgam exigentes, fodam-se nossos ouvidos implacáveis e ávidos por comparações sem importância.
Lembro de Amy de novo agora, que lá estava, cheia de espinhos também, no auge da maledicência pública, penando pra continuar existindo.
Mas a maledicência pública gosta da morte.
Se ela vem os ânimos se exaltam, as paixões afloram, os olhos brilham incontroláveis.
Com um certo Marlon também foi assim. Tinha uma Liz recentemente. Tem uma ainda por aqui, chamada Brigitte.
Sou devota! Mesmo que, por ventura, nada mais venham a me causar, pelo furor que um dia me causaram.
E não por benevolência. Por arrepiamento de braços, por lágrimas nos olhos.
Axl não morreu. E isso é grave nesses tempos.
Ele segue derramando o que tem dentro, como sabe e como consegue. Nossos defeitos nos espreitam e através do julgamento coletivo, da opinião supostamente unânime, fazem nosso dedos apontarem pra decadência que nossos olhos, tolinhos, supõem.
Naná Rizinni, que lá estava, no meio do temporal, disse:
“o Axl veio com uma banda mais foda que a que gravou o disco, e pra idade que ele tem e pelo rocker que foi, e ainda é, ele dá um baile na maioria dos de 20 anos de idade que se chamam de roqueiros”.
Sem mais, justamente por muito mais, fecho como abri o assunto:
O que ontem eu, com meus olhos e ouvidos vi, foi um deus incrível, ex gato do caralho, cantando, nem que fosse só pra mim, porque no meu coração bateu pesado.
Se não bateu no do vizinho não é problema nem pra mim, nem pro vizinho.
Se bem que, em se tratando de amor, a baixa taxa de pretendência pode ser um item bem interessante...
O palco se transformou num lago e Axl chutava a água bonito.
Com cada movimento da mão, dos olhos, cada centímetro do palco também balançava com ele.
"i'm gonna focus on my singing, cause if i focus on running around like an idiot i'm gonna fall on my ass".
Como você preferir, cowbooooy!!
Amém!!




















