Revista TPM

 
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Postado em 18.12.2009 | 13:12 | Ana Manfrinatto
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Imagem: Reprodução/ Martin Bonetto para o Clarín

O velho lobo baiano

O velho lobo baiano

Na quarta-feira (16/12) fui ao show do Gilberto Gil no teatro Gran Rex aqui em Buenos Aires. “Preciosa”, para mim, é o adjetivo que melhor define a apresentação. Ao lado do seu filho Bem Gil e do mestre Jacques Morelenbaum no violoncelo, Gil foi do céu ao inferno, de canções alegres à densas em um show intimista, pequenininho.

Como eu já havia dito, precioso.

Teve “Esotérico” e aquela frase linda sobre o mistério que sempre há de pintar por aí, “Tenho sede”, “Chiclete com banana”, “Expresso 2222”, uma versão interessantérrima de “Panis et circenses” puxada no violoncelo do Morelenbaun en vez da guitarra distorcida do Sérgio Dias e umas coisas novas que eu não conhecia, não.

Como, por exemplo, uma canção que ele fez para atender o pedido de sua filha Maria, que se casou há dois meses, e que diz assim: “Das duas, uma. Ou será pluma ou será pedra pesada”. E eu, que não raro me emociono, confesso que derrubei lágrimas quando ele tocou “Lamento sertanejo”.

Por ser de lá, do sertão, lá do serrado… Do interior do mato, da caatinga, do roçado…

Quem tava no palco era um Gil diferente… Deu para sentir que ele tá mais maduro, mais velho, sobretudo quando cantou “Não tenho medo da morte” à capela. Incrível.

É que não é mais o mesmo Gil que aparece no documentário “Doces Bárbaros” com trancinha no cabelo e suéter rosa fazendo mal-criação no tribunal. Também não é aquele Gil que entoa “Filhos de Gandhi” com o Jorge Ben numa versão de 14 minutos que é quase um transe.  Foi tudo isso, todo esse Gil, só que menor, mais lapidado.

Tanto é que a matéria do Clarín sobre o show foi intitulada de “velho lobo baiano”.
Coisa de mestre, sabe?

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Postado em 15.12.2009 | 15:12 | Ana Manfrinatto
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Na semana passada (10/12) eu tive o privilégio de ver a Buika ao vivo pela primeira vez na minha vida. Quem? Concha Buika, uma cantora de origen africana – sua família é da Guiné Equatorial, para ser mais precisa – que nasceu na ilha de Maiorca, na Espanha. Esse baú de heranças negras e flamencas faz com que Buika seja uma explosão.

Descalça, vestido vermelho, turbante na cabeça. Entre um gole de água e outro de vódca, ela embriagou as mais de três mil pessoas que foram ao teatro Gran Rex para vê-la. É que além de não ter problema em brincar com seu vozeirão e estilhaçá-lo no compasso do coração, a Buika canta com a alma, com as vísceras, com o útero.

Ela é uma figura feminina tão forte que me trouxe algumas imagens como Nossa Senhora Aparecida, Iansã, as avós. Aliás, entre música e música ela evocava estas figuras femininas (Mercedes Sosa foi uma delas) e falava sobre o amor, sempre ele.

Uma das interpretações mais emocionantes da noite foi a do tango “Volverás”, que ela dedicou aos seres humanos incorrigíveis: “São aquelas pessoas que não se cansam de errar zilhares de vezes a mesma boca. Esta boca que nós sabemos que não vai estar ali no dia seguinte mas que esta noite está boníssima!”, disse.

O clima era de conversa entre amigos. E nessa toada ela confessou que desde pequenininha aprendeu que a mulher não tem que ter medo da solidão, porque é na solidão que nós enfrentamos nossos demônios e nos ampliamos.

Sou filha única. Acostumada a estar sozinha, a voltar do mercado carregada de sacolas , essas coisas. E eu fui ao shows sozinha num desses dias em que o mantra é “eu sou a minha melhor companhia”.

Me emocionei, chorei, dei bastante risada. E só senti a falta de alguém ao meu lado porque gostaria que algumas pessoas especiais também tivessem vivendo este momento. Um exemplo aconteceu em 2007, no mesmíssimo teatro, quando o Caetano tocou “London, London”. Não fosse a minha amiga Camila segurar a minha mão, ninguém acreditaria que isso tivesse acontecido de verdade.

Desta vez foi tão lindo quanto. Eu eu nem preciso dizer que foi mágico porque a própria Buika se encarregou de entoar o meu adjetivo preferido:

“Não faz falta que eu diga que este momento dividido com vocês foi mágico porque eu sou uma pessoa que acha que o simples fato de estar respirando já é um milagre”.


Só fiquei com vontade de ter escutado “A mí manera”, que diz assim, ó:

Mira el tiempo
Como casi sin querer mueve
La trenza que anoche ahogaba tu pelo
Tu pecho lentecito muele mi amor

Mira el tiempo
Como casi sin querer me cruje
Ya siento hojas de otoño en mi pecho

Y al fin me sé libre
De sentirme bella
En él y en ella

Y de cantar flamenco
Con todo mi respeto
Para quien entienda
Porque yo no entiendo, no lo entiendo

Yo canto lo que pienso
Pa empujar mi vida

Y pa no tener miedo

Miedo de que me miren
Y no me vean
Ya no tengo miedo
Miedo de despertarme
Y que no estés cerca
Ya no, ya no, ya no.

Cause the World it's inside of me

Yo creo en mí
Y en mi manera de decir
Lo que pienso
Yo creo en mí
Y en mi manera de sentir
Lo que siento
Yo creo en mí
Y en mi manera de pensar
En lo que digo
Yo creo en mí, en tí, en mí
Y en tí y en mí
A mi manera

Tira corazón
Que él que gusto da
Placer se lleva

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Postado em 11.12.2009 | 12:12 | Ana Manfrinatto
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Além de ser uma expressão pra lá de portenha que significa “se eu fosse você”, “yo que vos” é uma feira com mais de 50 expositores que acontece amanhã à tarde no Planetário e promete bolsas irresistíveis, massagens relaxantes e comidinhas incríveis.

Amanhã também tem Bubamara no Konex, a festinha de música balcã. E ontem começou (e vai até o dia 14) o In-Edit Cinzano, primeiro festival de cine documentário e música de Buenos Aires.

Que mais? Ah, hoje à noite tem os catarinenses da banda Felixfônica apresentando para os hermanos um repertório que mistura jazz e rock com brasilidades como baião, frevo, maracatu, ciranda, samba e maculelê. O show é às 22h30 no Club Eter.

Que eu lembre, de cabeça, é isso! Sem falar em todas as festas de confraternização das “firrrmas” e despedidas que acontecem neste finde.

‘Cause it’s friday and everybody is in love!

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Postado em 09.12.2009 | 11:12 | Ana Manfrinatto
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Segunda-feira à noite pareceu sexta. Ontem pareceu domingo e hoje parece segunda-feira de novo. É que “ayer”, dia 8 de dezembro é o dia de Imaculada Conceição, a virgem. O feriado é comemorado em outros países da América Latina também e, pelo menos aqui na Argentina, é o dia oficial em que as pessoas montam a árvore de natal.

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Postado em 04.12.2009 | 12:12 | Ana Manfrinatto
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Imagem: Ana Manfrinatto

No meio do caminho tinha um balanço

No meio do caminho tinha um balanço

Certa tarde eu estava caminhando por Palermo e me deparei com este balanço feito com pneu velho em forma de cavalinho. Fofo, né?

E hoje cedo eu vim para o trabalho escutando “Força Bruta”, do Jorge Ben, um puta álbum que o Léo Nishihata gravou para mim em um pen drive.

Jorge Ben é algo que eu escuto sempre, quase todos os dias. Desde os tempos pré-MP3 em que eu curtia passear no subsolo da galeria do rock com o Léo para “descobrir novos sons”.

Tudo isso serpenteou a minha cabeça porque ontem eu li a Trip de dezembro de cabo a rabo antes de dormir. É que uma amiga voltou do Brasil com uma sacola cheia de revistas (Gracias, Aline!).

Além da baita entrevista com o Jorge Ben tem uma matéria sobre o Otto e o seu novo disco pós pé na bunda. Otto, além de ser sucesso em NY, saiba que “Certa manhã acordei de sonhos intranquilos” está na parada do sucesso nos bairros portenhos de San Telmo, Almagro e Villa Crespo, tá?

Nisso tinha o Bruno Torturra falando sobre ser ou não ser estrangeiro e eu me identifiquei. Ali eu descobri que ele é hippie e, lendo seu relato, voltei lááá para trás na época pré-MP3 em que a gente emprestava CD e gravava disco com faixas de áudio para os amigos. Aliás, Bruno, tenho até hoje um CD do Velvet Underground que você gravou para mim.

E na matério o Otto falava de MP3. E o Jorge Ben falava da Tábua de Esmeraldas, que é um álbum que remonta várias experiências fortes minhas…

Nessas idas e voltas da minha cabeça eu sonhei o balanço da Praça 18 de Fevereiro, em Itapevi, onde eu gostava de brincar quando era criança.

Tudo isso para dizer que “balanço” é a palavra do dia porque, assim como o suíngue do mestre Jorge, a vida é uma sucessão de movimentos cadenciados como os de um… balanço!

Porque eu sou da joven samba e a minha linha é de bamba!

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