
Estêncil com a mensagem de que nunca mais ocorra o mesmo do que aconteceu durante a ditadura militar
Embora eu tenha eu trabalhado, hoje é feriado aqui na Argentina. O dia 24 de março é o “Día Nacional de la Memoria por la Verdad y la Justicia”, um dia para que ninguém se esqueça de que o proceso militar que começou neste mesmo dia lá no ano de 1976 resultou em cerca de 30 mil pessoas desaparecidas.
O feriado existe desde 2006 e foi incluído no calendário para consolidar a memória coletiva da sociedade, gerar sentimentos opostos a todo tipo de autoritarismo e patrocinar a defesa permanente do estado de direito e a plena vigencia dos direitos humanos.
Trinta mil pessoas é muita gente. É a população de uma cidade grande! E o “desaparecimento” de todas estas pessoas durante a ditadura militar fez com que a Argentina tenha um vazio generacional: não raro pessoas daqui infelizmente tem alguma história na família para contar.
Inclusive rolou uma manifestação virtual no Facebook esta semana em que as pessoas se comprometeram em tirar a foto do perfil em nome da memória destas 30 mil pessoas.
Embora engajado em movimentos pró julgamento e pena dos responsáveis pelo desaparecimento de tanta gente, meu amigo Francisco não aderiu à luta virtual tirando sua foto do perfil… O que ele fez foi colocar uma foto dos seus pais, ambos desaparecidos durante o golpe militar.
O fotógrafo Gustavo Germano realizou um projeto incrivelmente visual para dar conta de histórias como a do Francisco. Em “Ausencias” ele partiu de álbuns familiares e retratou 15 famílias nos idos dos anos 70 e hoje, com suas respectivas ausências.
Sim, a chaga da ditadura é grande no país. E continua aberta e latente na vida de muitas famílias. Por isso o feriado, para que essa história recente não desapareça no ar e, sobretudo, nunca mais volte a acontecer.

Taí a bando do amor

Caetano, toca London London?
O panorama aqui em Buenos Aires é este: hoje e amanhã tem show do Caetano Veloso no teatro Gran Rex. Meu ingresso está obviamente comprado há quase um mês e eu nem me dei ao trabalho de avisar sobre o show aqui no Nos Ares primeiro porque tem outdoors com a cara do Caê em toda a cidade e segundo porque no comecinho da semana os ingressos mais caros, de 240 pesos, já estavam acabando.
Caetano é AMOR. (Por isso aguardem o post pós show!)
Daí rolou a notícia de que o Pedro Sá e a banda Do Amor fariam um show after Caetano na sexta-feira. Resultado: ingresos esgotados e uma nova data adicionada, desta vez no sábado. Para quem está a fim de ir, tem que batalhar um ingresso no próprio Plasma (Piedras 1856, San Telmo) o una loja Oid Mortales (Corrientes 1145, loja 17, Centro).
O Pedro Sá todo mundo conhece: é o cara que produziu, arranjou e tocou nos discos “Cê” e “Zii e Zie” de Caetano e também fez parte do projeto +2 do Moreno, do Domenico e do Kassin. A banda Do Amor (que de entrada conquista o coração de qualquer pessoa só pelo nome) é formada por Gustavo Benjão, Gabriel Bubu, Marcelo Callado e Ricardo Días Gómez – sendo que estes dois últimos também tocam com o Caetano em “Cê” e “Ziie e Zie”.
Além dessa brasilidade, desse tropicalismo, desse samba e desse rock todo (delííícia), também rola apresentação da banda argentina Morbo&Mambo, cuja base é o groove e o set é criado segundo a tempetarura e época do ano.
Caetano é amor.
Do amor é amor.
E o Pedro Sá acha que o amor é importante, porra.
Nos dias 4, 5, 9, 10 e 11 de março o artista catalão Albert Pla sobe ao palco do Niceto Club para apresentar o seu último trabalho, chamado “La Diferencia”. Sozinho sob as luzes da ribalta, o que Albert Pla faz é um espetáculo multimídia.
Digo, literalmente multimídia. Ele assovia e chupa cana ao mesmo tempo. Ou melhor dito, ele canta, toca guitarra e controla as luzes do espetáculo. Para quem não conhece o artista, vale a pena dar uma bisbilhotada no site dele e também neste vídeo, que é impressionante.
Vai lá:
Albert Pla no Niceto Club
As entradas vão de 60 a 100 pesos
Niceto Vega 5510, Palermo