Revista TPM

 
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Postado em 24.03.2010 | 16:03 | Ana Manfrinatto
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Estêncil com a mensagem de que nunca mais ocorra o mesmo do que aconteceu durante a ditadura militar

Estêncil com a mensagem de que nunca mais ocorra o mesmo do que aconteceu durante a ditadura militar

Embora eu tenha eu trabalhado, hoje é feriado aqui na Argentina. O dia 24 de março é o “Día Nacional de la Memoria por la Verdad y la Justicia”, um dia para que ninguém se esqueça de que o proceso militar que começou neste mesmo dia lá no ano de 1976 resultou em cerca de 30 mil pessoas desaparecidas.


O feriado existe desde 2006 e foi incluído no calendário para consolidar a memória coletiva da sociedade, gerar sentimentos opostos a todo tipo de autoritarismo e patrocinar a defesa permanente do estado de direito e a plena vigencia dos direitos humanos.


Trinta mil pessoas é muita gente. É a população de uma cidade grande! E o “desaparecimento” de todas estas pessoas durante a ditadura militar fez com que a Argentina tenha um vazio generacional: não raro pessoas daqui infelizmente tem alguma história na família para contar.


Inclusive rolou uma manifestação virtual no Facebook esta semana em que as pessoas  se comprometeram em tirar a foto do perfil em nome da memória destas 30 mil pessoas.


Embora engajado em movimentos pró julgamento e pena dos responsáveis pelo desaparecimento de tanta gente, meu amigo Francisco não aderiu à luta virtual tirando sua foto do perfil… O que ele fez foi colocar uma foto dos seus pais, ambos desaparecidos durante o golpe militar.


O fotógrafo Gustavo Germano realizou um projeto incrivelmente visual para dar conta de histórias como a do Francisco. Em “Ausencias” ele partiu de álbuns familiares e retratou 15 famílias nos idos dos anos 70 e hoje, com suas respectivas ausências. 


Sim, a chaga da ditadura é grande no país. E continua aberta e latente na vida de muitas famílias. Por isso o feriado, para que essa história recente não desapareça no ar e, sobretudo, nunca mais volte a acontecer.

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Postado em 23.03.2010 | 18:03 | Ana Manfrinatto
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Cara de um, focinho do outro

Cara de um, focinho do outro

Eu devia ter uns cinco anos quando meu pai me deu de presente um quadrinho em que havia o desenho de um menininho pobre segurando um peixinho pequeno e a frase “A vida se faz feliz com pequenas coisas”.  Esse dia eu chorei e disse que queria doar parte dos meus brinquedos, ou seja, acho que foi a primeira vez que refleti sobre diferenças sociais e desapego dos bens materiais.

Meu pai também me ensinou a mastigar pelo menos 30 vezes cada porção de comida, razão pela qual eu sou sempre a última a terminar de comer.

Meu pai é engraçado… Acho que ele queria ter tido um filho homem e, como só teve a mim, adora me presentear com eletrônicos e conversar sobre como está o Parmêra no campeonato. Deve ser por isso que, ao conversar com terceiros, ele se refere a mim como “meu filho”.

Também foi com ele que eu aprendi a andar de bicicleta sem rodinha, num domingo à tarde no campus da Universidade de São Paulo.

Ele só não conseguiu me ensinar a guiar porque é muito exigente quando o assunto é direção (Pedro foi piloto de moto). Também, pudera: na primeira e última aula que eu tive com ele, ele queria que eu saísse de uma ladeira em Itapevi fazendo uma coisa chamada punta-taco; que eu acabei de pesquisar no Google e consiste em pisar na embreagem com o pé esquerdo e acionar os pedais do freio e do acelerador ao mesmo tempo. É óbvio que eu não ia conseguir e é óbvio que ele ficou nervoso – o que não impede de que ele sempre ralhe comigo quando eu cruzo os braços no volante. “Assim você perde a estabilidade na curva. Quem pode cruzar os braços é piloto de Fórmula 1”, ele fala.

Isso que é chato de morar longe… Porque agora eu vou sair do trabalho e não vou poder comer um bolinho com ele na casa da Vó Elza nem fazer o molho de tomate que ele tanto gosta.

E como eu sou uma bananona, hoje cedo quando eu liguei para ele eu não consegui dizer nada disso e tive que recorrer ao teclado para, nestas poucas linhas, dizer o quanto ele é importante para mim.

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Postado em 05.03.2010 | 08:03 | Ana Manfrinatto
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Taí a bando do amor

Taí a bando do amor

Caetano, toca London London?

Caetano, toca London London?

O panorama aqui em Buenos Aires é este: hoje e amanhã tem show do Caetano Veloso no teatro Gran Rex. Meu ingresso está obviamente comprado há quase um mês e eu nem me dei ao trabalho de avisar sobre o show aqui no Nos Ares primeiro porque tem outdoors com a cara do Caê em toda a cidade e segundo porque no comecinho da semana os ingressos mais caros, de 240 pesos, já estavam acabando.
Caetano é AMOR. (Por isso aguardem o post pós show!)

Daí rolou a notícia de que o Pedro Sá e a banda Do Amor fariam um show after Caetano na sexta-feira. Resultado: ingresos esgotados e uma nova data adicionada, desta vez no sábado. Para quem está a fim de ir, tem que batalhar um ingresso no próprio Plasma (Piedras 1856, San Telmo) o una loja Oid Mortales (Corrientes 1145, loja 17, Centro).

O Pedro Sá todo mundo conhece: é o cara que produziu, arranjou e tocou nos discos “Cê” e “Zii e Zie” de Caetano e também fez parte do projeto +2 do Moreno, do Domenico e do Kassin. A banda Do Amor (que de entrada conquista o coração de qualquer pessoa só pelo nome) é formada por Gustavo Benjão, Gabriel Bubu, Marcelo Callado e Ricardo Días Gómez – sendo que estes dois últimos também tocam com o Caetano em “Cê” e “Ziie e Zie”.

Além dessa brasilidade, desse tropicalismo, desse samba e desse rock todo (delííícia), também rola apresentação da banda argentina Morbo&Mambo, cuja base é o groove e o set é criado segundo a tempetarura e época do ano.

Caetano é amor.

Do amor é amor.

E o Pedro Sá acha que o amor é importante, porra.

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Postado em 02.03.2010 | 14:03 | Ana Manfrinatto
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Nos dias 4, 5, 9, 10 e 11 de março o artista catalão Albert Pla sobe ao palco do Niceto Club para apresentar o seu último trabalho, chamado “La Diferencia”. Sozinho sob as luzes da ribalta, o que Albert Pla faz é um espetáculo multimídia.

Digo, literalmente multimídia.  Ele assovia e chupa cana ao mesmo tempo. Ou melhor dito, ele canta, toca guitarra e controla as luzes do espetáculo. Para quem não conhece o artista, vale a pena dar uma bisbilhotada no site dele e também neste vídeo, que é impressionante.

Vai lá:
Albert Pla no Niceto Club
As entradas vão de 60 a 100 pesos
Niceto Vega 5510, Palermo

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