Página/12
Capa do suplemento especial do jornal
Página/12 sobre a morte de Nestor Kirchner

Página/12
Capa do suplemento especial do jornal
Página/12 sobre a morte de Nestor Kirchner


Ana Manfrinatto
Ana Manfrinatto
Elas estamparam no peito o apoio à Cristina Kirchner
Ana Manfrinatto
Não falei que teve gente que levou até o cachorro para a Plaza de Mayo?
Terça-feira foi meu aniversário. Quarta-feira foi feriado nacional por conta do censo. O comércio estava todo fechado, o transporte público mal estava funcionando e ninguém trabalhou (a não ser os recenseadores, claro). Ou seja: o dia prometia ser ideal para curtir uma ressaca.
Só que a ressaca, neste caso, não foi de uma festa de aniversário mas sim do clima de apreensão e comoção que tomou conta da cidade quando por volta das 10h a televisão local anunciou a morte do ex-presidente Nestor Kirchner depois de uma parada cardiorespiratória na cidade de El Calafate.
O fato de estar todo mundo em casa fez com que todo mundo não desgrudasse os olhos da tevê ou então que muita gente marchasse com a bandeira da Argentina nas mãos rumo à Plaza de Mayo, que está na frente da Casa Rosada, a sede do governo.
Para se ter uma ideia, cheguei em casa e a minha roomate estava aos prantos. Jornalista que sou, coloquei um bloquinho, a Bic 4 cores e a câmera fotográfica na mochila e também fui até a Casa Rosada, à pé, e devo ter andando pelo menos uns três quilômetros na ida e uns outros três na volta.
Na praça as pessoas faziam fila para deixar uma flor em frente à sede do governo. Havia jovens, velhos, gente com o cachorro no colo, estrangeiros e famílias, como uma com quem eu conversei que fez questão de levar os três filhos até lá para que eles vivessem de perto uma manifestação popular. “É que quando a gente era criança vivíamos na ditadura e isto era proibido”, comentou o pai, um médico de 38 anos.
Aqui eu não vou contar quais presidentes virão para o velório, quantas pessoas estão agora na praça, o que vai ser da presidente Cristina Kirchner sem o marido e principal apoio político porque tudo isso está nos jornais, nas tevês e o nos sites do mundo inteiro. Só queria mesmo contar que se tratou de um dia histórico com uma pegada de “o dia em que a Terra parou” em que o que se escutava pelas ruas era uma marcha silenciosa de uma gente com olhos cheios d’água e uma vontade muito grande de homenagear este homem, dar suporte à sua mulher e, sobretudo, de apoiar o modelo político iniciado por Nestor Kirchner.
Desde cedo, quando eu fiquei sabendo da notícia, só conseguia me lembrar do dia em que o Senna morreu: o que, do alto dos meus novíssimos 29 anos, havia sido a maior comoção nacional que eu já havia vivido.


Divulgação
Literalmente! Acabo de voltar do show da Maria Bethânia que rolou aqui no teatro Gran Rex em Buenos Aires e posso dizer que foi um espetáculo e tanto. A galera pirou com ela e ela fez não só um como três bis. Sim, sim: a cortina do teatro fechou e abriu três vezes pra ela voltar toda prosa e ser ovacionada por todo um teatro (mais de três mil pessoas) em pé.
De arrepiar.
Minha conclusão é que, tirando os cabelos grisalhos e a roupa, ela continua com o mesmo vozeirão e força da época em que ela colocava saia branca, um topzinho diminuto e um sem número de guias coloridas para cantar junto a Caetano, Gil e Gal no Doces Bárbaros. O que não muda é que ela se apresenta descalça e agradece o santo no fim do espetáculo. E no de hoje o palco tava todo coberto de pétalas de rosas: digno de quem é tão diva e tão terranal como ela.
Divino, Maravilhoso. Lindo demais.


Divulgação
Cartaz do filme Beyond Ipanema
Começa agora no dia 21 de outubro a terceira edição do Cine Fest Brasil, evento que apresentará longas e curtas brazucas para o público portenho. Dentre os títulos do festival estão Beyond Ipanema, de Guto Barra e O contador de histórias de Luiz Villaça.
Abaixo, a seleção de longa-metragens que será exibida no Cine Fest Brasil. Para ver a programação completa, clique aqui.
Olhos azuis, de José Joffily
O bem amado, de Guel Arraes
Tempos de paz, de Daniel Filho
Os normais II, de José Alvarenga Jr.
Beyond Ipanema, de Guto Barra
Salve geral, de Sérgio Rezende
DZI Croquettes, de Tatiana Issa e Raphael Alvarez
Tamboro, de Sergio Bernardes
O contador de histórias, de Luiz Villaça
Elvis e Madona, de Marcelo Laffitte
Quincas Berro D’Água, de Sergio Machado
O Cine Fest Brasil é organizado em diversos países do mundo pelo grupo Inffinito. A sede oficial desta edição argentina será o Cine Hoyts Abasto. Os ingressos podem ser comprados com antecedência no site.


Cuisine&Vins
O dream team da cozinha argentina dá a dica!
A revista de gastronomia Cuisine&Vins fez uma lista com os restaurantes eleitos pelos chefs de cozinha mais renomados da Argentina.
Os cozinheiros Dolli Irigoyen, Donato de Santis, Jean Paul Bondoux, Narda Lepes, Pablo Massey, Pedro Picciau, Rodrigo Toso e Yanina Andreani contam onde comem quando estão a fim de pendurar a chuteira – digo, as panelas.
Tem de um tudo nesta lista: cozinha contemporânea, do dia a dia, frutos do mar, comida oriental, pizza e massas. A sugestão de pauta e de guia para os finais de semana veio do meu companheiro preferido de comilança e, bem como ele disse, “hay que ir”!

