Revista TPM

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Postado em 24.08.2011 | 21:08 | Ana Manfrinatto
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Olha só que legal: abriram as inscrições para o festival da diversidade cultural Tangolomango. Com mais de dez anos de praia, esta 14ª edição vai fazer um samba no avião, ver o Cristo Redentor pela janela e desembarcar em Ezeiza pela primeira vez.

Isso mesmo! Já que desta vez o evento acontece no Rio de Janeiro e também em Buenos Aires, o que marca a estreia do Tangolomango em solo internacional. Artistas de ambas as cidades que façam circo, dança ou música terão até o dia 10 de setembro para se inscrever através do site.

Serão selecionados dez grupos das duas cidades para apresentações lá e acolá. Os escolhidos se apresentam no Circo Voador entre os dias 10 e 13 de novembro e no Pólo Circo, na capital portenha, na primeira semana de dezembro (a data será definida em breve).

Tudo culmina em um espetáculo coletivo permeado pela improvisação, já que “o objetivo principal do Tangolomango é incentivar a generosidade intelectual. Por isso a produção colaborativa entre os grupos é tão valorizada”, explica a idealizadora do festival, Marina Vieira.   

Realizado desde 2002 e com edições no Rio de Janeiro, Recife, Fortaleza e Salvador, o festival já se consolidou como um festival latino-americano; promovendo o encontro de mais de quatro mil artistas de 300 grupos vindos do Brasil, Argentina, Colômbia, Venezuela e Peru. 

De onde eles tiraram este nome simpático? Ele é inspirado em uma brincadeira de roda do nordeste do Brasil e expressa o espírito de seu trabalho. O objetivo é articular, reunir e difundir projetos culturais de diferentes regiões do Brasil e da América Latina.

As apresentações acontecem sempre em espaços públicos e com acesso gratuito. Bacana, né? Fica a dica para que ches e mermãos prestigiem o evento e também para que se inscrevam caso desenvolvam as atividades artísticas promovidas pelo Tangolomango!

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Postado em 19.08.2011 | 17:08 | Ana Manfrinatto
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batom_penelope

Penélope: deusa

batom_anne hathaway

Anne: phina

batom_cameron

Cameron: bomba atômica

Sabe aquele batomzão vermelho que a gente passa quando não quer maquiar os olhos? Pois bem, sempre recorrí ao look Marisa Monte quando acordava de bom humor ou então quando acordava de mau humor e queria dar um up no visual (sim, roubei essa expressão da minha mãe).

Munida do batom vermelho eu caminhava pela Avenida Paulista, pela Rua Augusta ou por Itapevi sem chamar a atenção – confiante por dentro mas camuflada entre todas as demais. Este sentimento de anonimato, no entanto, nunca foi experimentado por mim aqui em Buenos Aires.

É que se engana quem pensa que as argentinas se maquiam muito. Esse imaginário que nós temos sobre elas não está refletido nas ruas – a não se pelas senhoras peruas e pelas dançarinas de tango da Calle Florida, claro. No dia-a-dia elas até se jogam numa base e em um delineador.

Mas qualquer coisa mais “berrante”, como um rímel muito acentuado ou um batom colorido, chama a atenção. Confesso que eu passei um bom tempo sem usar o vermelhão para trabalhar, por exemplo. No meu último trabalho os seguranças, os cinegrafistas e as chefes sempre faziam algum tipo de comentário.

“Te pusiste pintura?”
“Dónde vas a la noche que estás así tan pintadita?”
“Qué rojito te pusiste en los labios, eh?”
“Esa! Indio que se pinta quiere guerra!”
“Mirá el rojo carmesí que se clavó Ana”

Quer dizer, não tinha como passar inadvertidamente por um corredor sem escutar várias meia-dúzias de comentários. E não era só com o vermelho, não. Porque depois veio o pink que era o novo vermelho e logo o laranja, que era o novo pink. Não adianta: toda cor é motivo de comentário.

Daí que essa semana eu passei o rouge bombadão e fui lá fazer o que eu faço todo dia sempre igual. Peguei o metrô, caminhei algumas quadras até chegar no trabalho e adentrei ao mesmo. No metrô: olhares. Na rua: olhares PLUS um cara nojento que se aproximou e disse algo. No trabalho: comentários como os acima mencionados.

Conclusão: a sociedade argentina ainda não está preparada para o batom vermelho. E embora o da foto abaixo seja o laranjinha, não vou deixar de usar o vermelhim por causa disso, né?

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Postado em 10.08.2011 | 21:08 | Ana Manfrinatto
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F. Bitão

Falando de periferia, foto do Função RHK atirando com o mike na mão. Banda da minha cidade, Itapevi.

Falando de periferia, foto do Função RHK
atirando com o mike na mão.
Banda da minha cidade, Itapevi.

Os Racionais MCs tem uma frase que diz que “o mundo é diferente da ponte pra cá”. E é com a intenção de apresentar esta realidade além-Marginais que Fundação Centro de Estudos Brasileiros (Funceb) convida o público a conhecer “Do outro lado da ponte: arte da periferia da cidade de São Paulo”.

Dentre as obras estão os projetos fotográficos “Morada” e “Saraus” de Guma, fotógrafo da zona sul da cidade. Os visitantes também poderão conhecer um pouco da produção literária da periferia com a instalação Coletivo Correspondência Poética, além de ter a oportunidade de assistir à projeção de diversos vídeos de cineastas da região.

Para aproximar o público da arte periférica e também para aprofundar o debate, haverá um programa de painéis e palestras com nomes como Gonzalo Aguiar, Florencia Garramuño, Mario Cámara e Edgardo Dieleke.

A mostra é idealizada, coordenada, montada e curada por Lucía Tennina e acontece do dia 11 de agosto (a abertura é às 19h) até o dia 30 do mesmo mês. A entrada é gratuita.

“Atravessar as pontes que passam pelos rios Tietê e Pinheiros simboliza, no imaginário paulista, a passagem do centro para a periferia, da cidade grande para o subúrbio. A diferença destes espaços geralmente é abordada pela imprensa com relatos de terror, estatísticas de crimes e pobreza”, disse Lucía.

A curadora conclui dizendo que o objetivo desta exposição é justamente o contrário, é mostrar e divulgar algumas das manifestações artísticas que as favelas e quebradas de São Paulo estão elaborando nos últimos anos. Bacana à beça, né?

Vai lá:
Del otro Lado del Puente: Arte de la Periferia de la Ciudad de San Pablo
De 11 a 30 de agosto
Segunda a sexta das 9 às 21h
Sábados das 9 às 12h.
Funceb – Galeria Portinari
Esmeralda 969, Microcentro
www.funceb.org.ar

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Postado em 08.08.2011 | 22:08 | Ana Manfrinatto
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Na foto, Joaquim Pedro de Andrade

Na foto, Joaquim Pedro de Andrade

Sempre divulgo atividades “brasileiras” em Buenos Aires porque tem gente que tem saudade de casa, gente que quer mostrar o que é coisa nossa pros hermanos e muito argentino que é vidrado na cultura brasileira. E também porque se não é nóis é quem, não é verdade?

Então vamos lá... a Embaixada do Brasil em Buenos Aires tem um ciclo de cinema quase que permanente. O do mês de agosto (mês do bom gosto, como diz minha amiga Ciana Lago) é em homenagem a  Joaquim Pedro de Andrade e conta com uma seleção exclusiva do diretor.

Dia 9/8 é a vez de Macunaíma, o herói sem nenhum caráter, dia 16/08 Os Inconfidentes, dia 23/08 Guerra Conjugal e, no dia 30/08, rola uma seleção de curtas. As apresentações são sempre na terça às 19h no auditório da embaixada (Cerrito 1350) e a entrada é gratuita.

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Postado em 04.08.2011 | 23:08 | Ana Manfrinatto
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Lindo!

Lindo!

“O acaso me levou até eles em uma manhã de primavera em que Paris abria suas penas de pavão depois do lento inverno. Desci pelo bulevar Port Royal, peguei a St. Marcel e L´Hôpital, vi os verdes no meio de tanto cinza e lembrei dos leões. Era amigo dos leões e das panteras, mas nunca tinha entrado no edifício úmido e escuro do aquário...

... Deixei minha bicicleta encostada na grade e fui ver as tulipas. Os leões estavam feios e tristes enquanto a minha pantera dormia. Optei pelo aquário e me deparei com peixes vulgares até me encontrar, de forma inesperada, com os axolotl. Fiquei uma hora olhando pra eles. E saí incapaz de qualquer outra coisa”.

O texto acima é um trecho do conto “Axolotl”, de Julio Cortázar, e foi livremente traduzido por mim. Ele fala de um bichinho que muita gente imaginou ter saído da cabeça linda e fervilhante de Cortázar. Lêdo engano.

Acabei de descobrir através de uma mensagem do amigo Gustavo Pacheco no Facebook que o axolotl em questão não só existe como é a coisa mais bonita desse mundo. Ele é da família das salamandras e, pelo menos em todas as fotos que eu vi no Google Images, está sempre sorrindo.

E com os bracinhos abertos. Tipo o bicho-preguiça, que dá vontade de apertar e não soltar nunca mais. A conclusão é que eu agora eu quero porque quero ver um desses ao vivo. E fiquei sabendo que tem um exposto na Fundación Proa.

“É uma exposição de arte conceitual, obras de 1965 a 1975 (Cildo Meirelles, Marta Minujín e vários outros). Uma das obras, agora não me lembro de quem era, tem no meio um aquariozinho com o axolotl. O bicho me impactou mais do que todas as outras obras juntas”, o Gustavo escreveu.

E, pela janelinha do Facebook, prosseguiu: “Eu fiquei absolutamente perplexo olhando pra ele, aí balbuciei pra moça que guia os visitantes : "quê que é isso?" E ela me respondeu como se fosse a pergunta mais idiota do mundo: "é um axolotl, ué".

Enfim, fica aí mais um post para o quadro “você sabia?” e uma excelente dica de cultura em Buenos Aires: visitar a Fundación Proa, um museo lindíssimo que está no bairro La Boca perto da Bombonera e do Caminito.

E pra quem quiser ler o conto completo (em espanhol), tá aqui o link.

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