Revista TPM

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Postado em 09.05.2012 | 19:05 | Ana Manfrinatto
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recoletakblogspot.com

Mandarina, mixirica, tangerina, bergamota

Mandarina, mixirica, tangerina, bergamota


Se tem uma fruta polêmica na Argentina, esta fruta é a mixirica. Ela provoca reações e comentários por onde passa e comer uma mandarina (como aqui é chamada) em público, coisa mais normal do mundo, significa não passar incólume. 

Desconheço a razão, mas funciona da seguinte maneira: toda vez que un ser humano começa a descascar uma mixirica em lugares como o refeitório da firma, por exemplo, ele pergunta se alguém se incomoda com o cheiro.

A paranoia é tanta que uma amiga me contou que, quando era pequena, a mãe dava os gominhos pra ela com o garfo para que o bouquet de notas cítricas não impregnasse a sua mão. Na boa: tem coisa mais gostosa que cheirinho de limão, laranja, mixirica?

Eu tive uma chefe – dessas executivas altas, magras, solteiras, de mini saia full time e viciadas em Rivotril – que dava piti cada vez que entrava num escritório cheirando a mandarina. E fazia questão de saber quem é que tava comendo.

Sem falar que tem gente que acha que as pessoas e/ou lugares com o aroma dessa fruta tem “cheiro de boliviano”. E os bolivianos, assim como os peruanos, são imigrantes que sofrem pencas com o preconceito aqui na Argentina.

Eu obviamente não dou bola pra nada disso: não pergunto se os meus companheiros de trabalho se incomodam e tô feliz da vida porque começou a época de mixirica aqui em Buenos Aires. Aliás, tem uma sem caroço que eu amo!

Ah, outra coisa, a fruta inocente está presente em todos os pepinos e abacaxis do país. Isso mesmo: quando alguém tem um problema nessas bandas, em vez de “descascar o abacaxi” ou “resolver o pepino”, tem mais é que “chupar a mandarina”.

Fica a dica pros turistas que estiverem vindo pra cá por esses dias. ;-)

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Postado em 30.03.2012 | 18:03 | Ana Manfrinatto
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Jacques Gomes Filho/ La Nación

Cabe no tênis, gente!

Cabe no tênis, gente!

O jornal argentino La Nación tem uma seção chamada “Bestiario” que não tem nada a ver com o livro do Cortázar. A ideia, neste caso, é que as pessoas mandem fotos das suas bestias, o seja, do seu animal de estimação (que aqui são chamados de mascota).

E quem ganhou destaque na edição (online e impressa, tá) de ontem foi um chihuahua brasileiro. Ele é tão pequenininho que cabe em um tênis e têm fãs locais – dentre eles, celebridades. Sem falar que a Xuxinha causa frisson quando passeia por Palermo.

Como o dog foi parar no jornal? Culpa do Jacques Gomes Filho, correspondente da RedeTV! Em Buenos Aires: a Xuxinha é do sobrinho dele e, sempre que vem pra cá, ela pára o trânsito e quase é sequestrada pela namorada e pelo enteado do repórter.

Taí, uma historinha bonitinha que eu sei que só tem graça pra quem, assim como eu, adora um pulguento! ;-)

Já que eu toquei no assunto, vai um glossário:
Perro – cachorro
Perra – cachorra ou o tipo de mulher que no Brasil chamamos de vaca
Cachorro – filhote de qualquer animal
Cucha – casinha
Ração – alimento balanceado
Vacina – vacuna
Coleira – collar
Ossinho – huesito

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Postado em 29.03.2012 | 13:03 | Ana Manfrinatto
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Gustavo Pelogia/ Scream & Yell

Vou explicar em Les Criolês

Vou explicar em Les Criolês

Não vou fazer resenha do show do Criolo e do Emicida aqui em Buenos Aires, no último domingo, porque o Gustavo Pelogia fez uma incrível (com vídeos e tudo o mais) pro site Scream & Yell. Vou é contar da minha experiência pessoal porque é isso o que o povo quer saber – ou é isso o que eu quero escrever.

Daí que eu era a assessora de imprensa do show, o Grito Rock Buenos Aires 2012, onde também tocaram os argentinos Mustafa Yoda e Pollerapantalón. Tudo isso foi organizado pelo Niceto Club, Fora do Eixo, Studio SP e o selo local Sonoamerica.

Trabalhei horrores na divulgação e por sorte deu tudo certo: saiu matéria grande (de uma página!) nos principais jornais da cidade: La Nación, Clarín, Página/12 e Buenos Aires Herald, dentre outros.

O que mais chamou a minha atenção durante este trabalho foi o feedback dos jornalistas. Não vou citar nomes, mas todos me escreviam dizendo que a entrevista com o Criolo (via telefone ou Skype) havia sido “uma experiência mística” ou então que ele era “um ser iluminado”.

Tudo isso só aumentava a minha expectativa de conhecê-lo pessoalmente no domingo, o mesmo dia do show, quando ele chegaria. Pois bem, o dia chegou e eu o conheci. Contei que eu era a assessora local e que teríamos três entrevistas, previamente combinadas, para fazer.

Coluna Seu Guevara/ Fora do Eixo

Passagem de som

Passagem de som


Faltavam poucas horas pro show e não só o Criolo, assim como toda a banda, haviam chegado a Buenos Aires e ido direto para a casa de shows sem, nem sequer, passar pelo hotel. A resposta? “Tudo bem, eu sou apenas um operário e tô aqui pra isso”. Logo depois: “Deixa a água passar pelo rio”.

Realiza: você trabalhando, louca, num corre-corre danado e o artista, que deveria estar cansado e cheio de não-me-toques, te responde isso. Ponto pro Kléber! Fizemos uma entrevista pra rádio, uma pra tevê e uma pra uma revista francesa.

Nesta última, a mais longa e detalhada, eu tive que ser intérprete. Foi aí então que eu percebi porque todos os jornalistas que já o haviam entrevistado diziam que tinha sido uma experiência mística: além dele agradecer o jornalista, ser atencioso (de verdade!) e agradecer o trabalho alheio, ele olha fundo no olho e fala.

E quando fala, faz metáforas lindas, escolhe palavras bonitas, a voz é doce e não tem nada a ver com a “agressividade” que ele põe pra fora com as músicas dele... quer dizer, é de verdade o moço do Grajaú grato à família que a gente já viu na Revista Trip, no Esquenta da Regina Casé, em todos os lugares.

Só que o tempo era curto e tivemos que cortar a entrevista: o artista, quer dizer, o operário, teria que ir para o hotel tomar banho. E eu teria que ir de co-piloto já que o Caiubi Mani, do FDE, era o motorista e não sabia o caminho.

Esse bate-volta Palermo – Recoleta – Palermo foi mágico porque nenhum dos três se conhecia e, no entanto, falávamos como se fôssemos brothers. Cada um contou um pouco da vida: O Caiubi, que é de Araraquara, disse que era fã e que nunca havia visto um show dele. Eu contei que era de Itapevi e que “Ainda há tempo” foi o meu disco de cabeceira e o Kléber, que a gente tá careca de saber que é do Grajaú, contou que havia sido convidado pra jogar bola com o Toquinho e que conheceu o César Mendes na casa do Caetano (sim, o Veloso).

A gente falou sobre São Paulo, sobre Buenos Aires, sobre ser estrangeiro, assuntos da vida que não tinham nada a ver com se a divulgação tinha sido boa ou se o Niceto Club estava cheio. Só que aí estávamos a uma quadra do hotel e recebemos uma ligação dizendo que teríamos que voltar.

O Kléber, quer dizer, o Criolo, poderia tomar um banho de dez minutos e fazer o público esperar. Sobretudo porque eu expliquei que as demoras em espetáculos argentinos são tão comuns que já são esperadas, assim como as noivas. Só que não: “é o meu compromisso e eu não posso desrespeitá-lo”, ele disse.

Coluna Seu Guevara/ Fora do Eixo

Olha só como tava

Olha só como tava

Assim que tocamos a perua de volta ao lugar do show e, quando chegamos lá, o Emicida tava quebrando tudo em cima do palco. Sim, a casa tava cheia. Sim, tava cheio de brasileiro mas sim, também tinham vários argentinos curtindo o som made in Quebrada.

Logo em seguida o Criolo entrou no palco com uma túnica e também quebrou tudo. Eu fiquei feliz à beça de ver que o show era tão bom quanto eu esperava e deixei os zilhares de amigos e jornalistas pra ver tudo de camarote – ou seja, bem na frente do palco. Mano, as pessoas cantavam T O D A S as músicas.

De repente eu olho pro lado e tinha um cara com um cartaz escrito “Grajaú Carapicuíba Só os loko”. Gritei que eu era de Itapevi e dei um abraço nele. A quantidade de vezes que eu escutei gente (diferente) gritando Z.O. do meu lado foi incalculável. E o Criolo, que parecia estar em transe no palco, fez com que todo o público tivesse na mesma sintonia.

Pablo Caro

Salve!

Salve!

Terminado o show eu fui ao camarim dar parabéns. O Kléber tava sentadinho, cansado que só, e disse “Ana, por favor, sei que não é sua função, mas, você poderia pegar uma garrafa de água pra mim?”. (Essa parte, sobre a humildade que todos comentam, deixei pro fim)

Peguei a água, tirei foto, conversei com a banda, ganhei presente do Daniel Ganjaman (um vinil e um CD do "Nó na Orelha") e um autógrafo:

“Ana, muitos são os caminhos
Fortaleça seus pés pois a cabeça tem sempre mania de desvendar nossos medos”

Depois dessa eu me despedi de todo mundo, fortaleci meus pés e fui tomar uma cerveja com namorado e amigos. Além do cansaço de quem dançou muito, trabalhou idem e essa frase retumbando na cabeça; ficou a alegria de quem, como fã, só queria ver o show de um artista querido na sua cidade e... conseguiu!

Pronto, foi assim que começou a minha semana! :-)

Ana Manfrinatto

<3

Xá comigo!

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Postado em 20.03.2012 | 13:03 | Ana Manfrinatto
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Vocês já devem conhecer o Paris vs. New York, um site com ilustrações super fofas que confrontam características das duas cidades-fetiche do hemisfério norte. Pois bem, daí que a Vivian Mota, do Estúdio Rabiscorama, decidiu fazer o mesmo.

Só que, desta vez, a batalha ilustrada é entre Sampa e Buenos Aires. A.K.A. “a cidade que eu abandonei e a cidade que eu abracei”. Ou então “a cidades que eu odeio mas amo” versus “a cidade que eu amo mas odeio”.

Questões pessoais à parte, o trabalho dela é bem bacana. O tumblr Sampa versus Buenos por enquanto tem Mafalda vs. Mônica, Adoniran vs. Gardel e Maitena vs. Laerte. O trabalho tá tão lindo e divertido que a gente só espera que a série cresça!

Ah, a dica de pauta foi da amiga pindamonhagabense Mari Bernal ;-)

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Postado em 07.03.2012 | 11:03 | Ana Manfrinatto
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Se você mora no Brasil, talvez esteja pegando bode do Criolo graças à super exposição da imagem dele na mídia. Pelo menos foi isso o que um amigo jornalista de São Paulo me disse quando eu contei que tava felizona porque o super star do Grajaú viria a Buenos Aires pra fazer seu primeiro show.

Como eu não moro no Brasil, não vivo esse boom do Criolo. Mas bem que pude me dar conta quando, em dezembro, fui à Sampa pra passar o natal com a família. Procurei um disco (sim, ainda compro CD) em pelo menos dez lojas e não achei em nenhuma. Tava tudo esgotado.

Conheci o trabalho dele com o vídeo Não existe amor em SP que eu encontrei no Facebook de alguém. O que me chamou a atenção e fez eu dar play foi a imagem congelada de um “Mais amor por favor” em uma parede. É que eu colecionava fotos e tenho uma camiseta – de uma marca argentina – com a mesma frase.

Curti o som na hora. Fui lá me informar sobre quem era esse cara. Baixei o “Nó na orelha”, me amarrei no afrobeat e decorei as músicas. Até que eu descobri o “Ainda é tempo” e pronto, me viciei de vez, quando vi que o Criolo fazia rap nacional envolvidão até o pescoço.

Na minha cidade o domingo à tarde é marcado pela ressaca pós flango macalão e um silêncio que só é rompido quando carros filmados passam na avenida tocando Racionais MCs. “Fim de semana no parque” é a música da minha pré-adolescência. E rap é o que eu ouço quando quero lembrar de onde eu venho.

Vááários discos já seguraram a minha mão nessa vida. “A tábua de esmeraldas” do Jorge Ben, o “Cê” do Caetano, o dos Doces Bárbaros e o da banana do Velvet Underground. E o “Ainda há tempo” foi meu grande companheiro no ano passado porque falava o que eu não conseguia.

A moral da história de toda essa ladainha pseudo-poético-biográfica é que no dia 1° de novembro eu tuítei, fazendo menção para o produtor do Criolex, o seguinte:

 

 

 

Ele respondeu e a conversa virou uma DM. Que logo virou um e-mail no qual eu copiei a produtora do Niceto Club. Logo eu saí da cópia. Daí eu não soube mais nada até que, nas minhas férias, recebi uma mensagem dizendo que o universo conspirou, que o Circuito Fora do Eixo, o Studio SP e o selo argentino Sonoamerica entraram na história e que

... tcharãn: o Criolo toca aqui no dia 25 de março! E ele não vem sozinho, vem com o Emicida pra se apresentar junto aos argentos Mustafa Yoda e Pollerapantalón! no Festival Grito Rock Buenos Aires 2012. Nessas horas eu esqueço a inflação, a dieta à base de carne com batata e o caos ferroviário local pra gritar que, sim,

EXISTE AMOR EM BUENOS AIRES! VAI LÁ:

 

 

 

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