Revista TPM

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Postado em 10.05.2012 | 15:05 | Ana Manfrinatto
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Sol Rodríguez

Minha galocha, bem Mulher-Maravilha

Minha galocha, bem Mulher-Maravilha


Eu não sei se as brasileiras usam galochas mas, quando eu morava em SP, não costumava ver ninguém desfilando pela rua com este tipo de calçado, não. Mas imagino que não seja assim tãããooo usado porque a própria Havaianas só vende suas galochas no exterior. Enfim, depois vocês me dizem se “está se usando” ou não.

O que eu queria contar é que aqui em Buenos Aires, sim, as meninas usam botas de lluvia. E não é por moda nem nada, é por uma questão funcional mesmo: choveu, colocou galocha e pegou paraguas.

Ezequiel Apesteguía

Animal print da Agustina, miau

Animal print da Agustina, miau


Eu super adotei o hábito e acho o máximo. Primeiro porque a gente não precisa olhar muito por onde pisa e segundo porque, no meu caso, eu piso na poça d’água de propósito... a sensação de ser uma 4X4 humana é única e eu recomendo pra todo mundo!

E já que o assunto é rainwear, fica uma dica de lojinha pra quem vier a Buenos Aires: a Seco é especializada em botas de lluvia, guarda-chuvas e “pilotos”, esses casacos impermeáveis pra vestir em dia de toró.

Ana Manfrinatto

Da minha chefe, Vivienne Westwood by Melissa

Da minha chefe, Vivienne Westwood by Melissa


Em dias como hoje, além da vestimenta adequada é preciso um penteado que resista à umidade. Quem tem franja sai de casa com meia dúzia de grampos na cabeça ou então faz uma trança de raiz que inclua o flequillo. Quem não tem franja usa coque alto ou rabo-de-cavalo baixo acompanhado de tiara bonita.

A botas de lluvia eu consegui registrar aqui pela firrrma durante o dia. Já o penteado... ninguém aceitou – eu incluída! – ser fotografada tendo o frizz como protagonista ;-)

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Postado em 09.05.2012 | 19:05 | Ana Manfrinatto
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recoletakblogspot.com

Mandarina, mixirica, tangerina, bergamota

Mandarina, mixirica, tangerina, bergamota


Se tem uma fruta polêmica na Argentina, esta fruta é a mixirica. Ela provoca reações e comentários por onde passa e comer uma mandarina (como aqui é chamada) em público, coisa mais normal do mundo, significa não passar incólume. 

Desconheço a razão, mas funciona da seguinte maneira: toda vez que un ser humano começa a descascar uma mixirica em lugares como o refeitório da firma, por exemplo, ele pergunta se alguém se incomoda com o cheiro.

A paranoia é tanta que uma amiga me contou que, quando era pequena, a mãe dava os gominhos pra ela com o garfo para que o bouquet de notas cítricas não impregnasse a sua mão. Na boa: tem coisa mais gostosa que cheirinho de limão, laranja, mixirica?

Eu tive uma chefe – dessas executivas altas, magras, solteiras, de mini saia full time e viciadas em Rivotril – que dava piti cada vez que entrava num escritório cheirando a mandarina. E fazia questão de saber quem é que tava comendo.

Sem falar que tem gente que acha que as pessoas e/ou lugares com o aroma dessa fruta tem “cheiro de boliviano”. E os bolivianos, assim como os peruanos, são imigrantes que sofrem pencas com o preconceito aqui na Argentina.

Eu obviamente não dou bola pra nada disso: não pergunto se os meus companheiros de trabalho se incomodam e tô feliz da vida porque começou a época de mixirica aqui em Buenos Aires. Aliás, tem uma sem caroço que eu amo!

Ah, outra coisa, a fruta inocente está presente em todos os pepinos e abacaxis do país. Isso mesmo: quando alguém tem um problema nessas bandas, em vez de “descascar o abacaxi” ou “resolver o pepino”, tem mais é que “chupar a mandarina”.

Fica a dica pros turistas que estiverem vindo pra cá por esses dias. ;-)

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Postado em 08.05.2012 | 17:05 | Ana Manfrinatto
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Ahavoila

Adeus, Caloi

Adeus, Caloi


Hoje a Argentina está triste porque perdeu um dos seus grandes desenhistas, cartunistas e humoristas: Carlos Loiseau. Ele faleceu na manhã de hoje aos 63 anos de idade e, segundo o também desenhista e humorista Miguel Rep, foi um cara “rebelde, melancólico, portenho, futbolero, hedonista e arrogante”.

Caloi, como era conhecido, foi o criador de Clemente, uma criatura bem dotada de argentinidade que conquistou o coração dos leitores – a tirinha foi publicada diariamente, durante quase 40 anos, na contra-capa do jornal Clarín.

“Ele saiu do estereótipo do humorista habitual, fazia uma sátira que marcava as nossas características culturais. Soube ler uma idiossincrasia e devolvê-la como um espelho para quem lia o jornal. Eu, com Clemente, me reconhecia como argentino”, disse o desenhista Nine em entrevista ao jornal Página/12.

A matéria, aliás, foi intitulada “Caloi morreu” e ganhou o subtítulo “com todo o humor da alma”. E já que falamos de quem lamentablemente se foi, falemos também de quem fica: Juan Matías Loiseau, o Tute, “irmão” do Clemente e também humorista gráfico. Desde 1998 ele publica uma tirinha – super fofa – chamada Tutelandia no jornal La Nación.

Tute - Site Oficial

“Não vejo o que há de mágico”

“Não vejo o que há de mágico”

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Postado em 30.03.2012 | 18:03 | Ana Manfrinatto
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Jacques Gomes Filho/ La Nación

Cabe no tênis, gente!

Cabe no tênis, gente!

O jornal argentino La Nación tem uma seção chamada “Bestiario” que não tem nada a ver com o livro do Cortázar. A ideia, neste caso, é que as pessoas mandem fotos das suas bestias, o seja, do seu animal de estimação (que aqui são chamados de mascota).

E quem ganhou destaque na edição (online e impressa, tá) de ontem foi um chihuahua brasileiro. Ele é tão pequenininho que cabe em um tênis e têm fãs locais – dentre eles, celebridades. Sem falar que a Xuxinha causa frisson quando passeia por Palermo.

Como o dog foi parar no jornal? Culpa do Jacques Gomes Filho, correspondente da RedeTV! Em Buenos Aires: a Xuxinha é do sobrinho dele e, sempre que vem pra cá, ela pára o trânsito e quase é sequestrada pela namorada e pelo enteado do repórter.

Taí, uma historinha bonitinha que eu sei que só tem graça pra quem, assim como eu, adora um pulguento! ;-)

Já que eu toquei no assunto, vai um glossário:
Perro – cachorro
Perra – cachorra ou o tipo de mulher que no Brasil chamamos de vaca
Cachorro – filhote de qualquer animal
Cucha – casinha
Ração – alimento balanceado
Vacina – vacuna
Coleira – collar
Ossinho – huesito

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Postado em 29.03.2012 | 13:03 | Ana Manfrinatto
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Gustavo Pelogia/ Scream & Yell

Vou explicar em Les Criolês

Vou explicar em Les Criolês

Não vou fazer resenha do show do Criolo e do Emicida aqui em Buenos Aires, no último domingo, porque o Gustavo Pelogia fez uma incrível (com vídeos e tudo o mais) pro site Scream & Yell. Vou é contar da minha experiência pessoal porque é isso o que o povo quer saber – ou é isso o que eu quero escrever.

Daí que eu era a assessora de imprensa do show, o Grito Rock Buenos Aires 2012, onde também tocaram os argentinos Mustafa Yoda e Pollerapantalón. Tudo isso foi organizado pelo Niceto Club, Fora do Eixo, Studio SP e o selo local Sonoamerica.

Trabalhei horrores na divulgação e por sorte deu tudo certo: saiu matéria grande (de uma página!) nos principais jornais da cidade: La Nación, Clarín, Página/12 e Buenos Aires Herald, dentre outros.

O que mais chamou a minha atenção durante este trabalho foi o feedback dos jornalistas. Não vou citar nomes, mas todos me escreviam dizendo que a entrevista com o Criolo (via telefone ou Skype) havia sido “uma experiência mística” ou então que ele era “um ser iluminado”.

Tudo isso só aumentava a minha expectativa de conhecê-lo pessoalmente no domingo, o mesmo dia do show, quando ele chegaria. Pois bem, o dia chegou e eu o conheci. Contei que eu era a assessora local e que teríamos três entrevistas, previamente combinadas, para fazer.

Coluna Seu Guevara/ Fora do Eixo

Passagem de som

Passagem de som


Faltavam poucas horas pro show e não só o Criolo, assim como toda a banda, haviam chegado a Buenos Aires e ido direto para a casa de shows sem, nem sequer, passar pelo hotel. A resposta? “Tudo bem, eu sou apenas um operário e tô aqui pra isso”. Logo depois: “Deixa a água passar pelo rio”.

Realiza: você trabalhando, louca, num corre-corre danado e o artista, que deveria estar cansado e cheio de não-me-toques, te responde isso. Ponto pro Kléber! Fizemos uma entrevista pra rádio, uma pra tevê e uma pra uma revista francesa.

Nesta última, a mais longa e detalhada, eu tive que ser intérprete. Foi aí então que eu percebi porque todos os jornalistas que já o haviam entrevistado diziam que tinha sido uma experiência mística: além dele agradecer o jornalista, ser atencioso (de verdade!) e agradecer o trabalho alheio, ele olha fundo no olho e fala.

E quando fala, faz metáforas lindas, escolhe palavras bonitas, a voz é doce e não tem nada a ver com a “agressividade” que ele põe pra fora com as músicas dele... quer dizer, é de verdade o moço do Grajaú grato à família que a gente já viu na Revista Trip, no Esquenta da Regina Casé, em todos os lugares.

Só que o tempo era curto e tivemos que cortar a entrevista: o artista, quer dizer, o operário, teria que ir para o hotel tomar banho. E eu teria que ir de co-piloto já que o Caiubi Mani, do FDE, era o motorista e não sabia o caminho.

Esse bate-volta Palermo – Recoleta – Palermo foi mágico porque nenhum dos três se conhecia e, no entanto, falávamos como se fôssemos brothers. Cada um contou um pouco da vida: O Caiubi, que é de Araraquara, disse que era fã e que nunca havia visto um show dele. Eu contei que era de Itapevi e que “Ainda há tempo” foi o meu disco de cabeceira e o Kléber, que a gente tá careca de saber que é do Grajaú, contou que havia sido convidado pra jogar bola com o Toquinho e que conheceu o César Mendes na casa do Caetano (sim, o Veloso).

A gente falou sobre São Paulo, sobre Buenos Aires, sobre ser estrangeiro, assuntos da vida que não tinham nada a ver com se a divulgação tinha sido boa ou se o Niceto Club estava cheio. Só que aí estávamos a uma quadra do hotel e recebemos uma ligação dizendo que teríamos que voltar.

O Kléber, quer dizer, o Criolo, poderia tomar um banho de dez minutos e fazer o público esperar. Sobretudo porque eu expliquei que as demoras em espetáculos argentinos são tão comuns que já são esperadas, assim como as noivas. Só que não: “é o meu compromisso e eu não posso desrespeitá-lo”, ele disse.

Coluna Seu Guevara/ Fora do Eixo

Olha só como tava

Olha só como tava

Assim que tocamos a perua de volta ao lugar do show e, quando chegamos lá, o Emicida tava quebrando tudo em cima do palco. Sim, a casa tava cheia. Sim, tava cheio de brasileiro mas sim, também tinham vários argentinos curtindo o som made in Quebrada.

Logo em seguida o Criolo entrou no palco com uma túnica e também quebrou tudo. Eu fiquei feliz à beça de ver que o show era tão bom quanto eu esperava e deixei os zilhares de amigos e jornalistas pra ver tudo de camarote – ou seja, bem na frente do palco. Mano, as pessoas cantavam T O D A S as músicas.

De repente eu olho pro lado e tinha um cara com um cartaz escrito “Grajaú Carapicuíba Só os loko”. Gritei que eu era de Itapevi e dei um abraço nele. A quantidade de vezes que eu escutei gente (diferente) gritando Z.O. do meu lado foi incalculável. E o Criolo, que parecia estar em transe no palco, fez com que todo o público tivesse na mesma sintonia.

Pablo Caro

Salve!

Salve!

Terminado o show eu fui ao camarim dar parabéns. O Kléber tava sentadinho, cansado que só, e disse “Ana, por favor, sei que não é sua função, mas, você poderia pegar uma garrafa de água pra mim?”. (Essa parte, sobre a humildade que todos comentam, deixei pro fim)

Peguei a água, tirei foto, conversei com a banda, ganhei presente do Daniel Ganjaman (um vinil e um CD do "Nó na Orelha") e um autógrafo:

“Ana, muitos são os caminhos
Fortaleça seus pés pois a cabeça tem sempre mania de desvendar nossos medos”

Depois dessa eu me despedi de todo mundo, fortaleci meus pés e fui tomar uma cerveja com namorado e amigos. Além do cansaço de quem dançou muito, trabalhou idem e essa frase retumbando na cabeça; ficou a alegria de quem, como fã, só queria ver o show de um artista querido na sua cidade e... conseguiu!

Pronto, foi assim que começou a minha semana! :-)

Ana Manfrinatto

<3

Xá comigo!

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