O ultimo disco do Ariel Pink está em rotação no meu playlist de trabalho desde que saiu, ha uns dois meses atrás. Ariel Pink é um caso a parte, um outsider, que dialoga com a música pop pelas tangentes, e que sempre fez albuns que soam como um K7 velho que você encontrou por acaso em uma feira. Filhote do cruzamento de Daniel Johnston, Michael Jackson e um gravador analógico de quatro pistas, Ariel foi descoberto pelo Animal Collective, que lançou vários de seus discos solos pelo selo Paw Tracks. Eu adoro esses discos porque são estranhos e cativantes, tem textura de musica velha sem auto-indulgências saudosistas. Mais eu vou entender se alguém me dizer que não gosta. ; )
Esse ultimo disco resistiu dois meses de rotação nos blogs e outros discos do ano. Before Today, faz parte da transição do artista de freak folk para pop-suficiente-para-tocar-numa-rádio, um caminho que tem sido percorrido sem percalços desde que Ariel assinou com um selo maior e acrescentou o "Haunted Graffiti" uma banda propriamente dita, (na sua carreira solo ele era uma one-man-band). O resultado fica naquele espaço deixado entre Beach Boys e Arthur Russel, tem groove sem deixar de ser esquisito e tem senso de humor suficiente para justificar cada faixa. Acima de tudo é um disco Pop, e saber de onde ele veio o deixa ainda mais intrigante.
PS, Sobre o Slow Blogging: As últimas vezes que eu li a frase "Disco do Ano" no dia do lançamento em menos de dez semanas eu não lembrava mais o nome da banda nem do que se trata. Eu também Já fiz isso, confesso, antes desse blog, entes de um monte de coisas. Mas não faço mais, OK? ; ) Respire fundo e vê se dois meses depois você ainda aguenta ouvir. O disco ainda vai estar lá, ninguém aqui está com pressa.
Fim de semana passado eu dei um pulo em Portugal, na terra dos nossos primos, em um festival de verão. E não é que no meio da programação eu acho o nome familiar de Mike Patton, o cara do Faith no More, acompanhado de Mondo Cane (??) Antes de tudo eu queria deixar claro que eu estou dividindo esse momento do meu verão a titulo de curiosidade, afinal o nome do blog ainda é "Qualquer Coisa". Mondo Cane é o projeto solo paralelo do líder do Faith no More, que aliás fez um came back recentemente. Nesse projeto Mike canta em Italiano, acompanhado de uma orquestra, tipo 20 pessoas no palco. Coristas /dançarinas incluídas. Mas quando eu digo canta em italiano eu digo realmente em italiano, terno branco, corrente dourada, cabelo penteado para trás com gel. Ele canta na língua canastrão italiano, para ser mais exata. Enfim, achei que seria importante falar sobre isso, afinal ele era do Faith no More ; )
Em outro palco eu finalmente vi o Beirut ao vivo, uma banda que eu adoro e que fez dois ótimos discos em 2006 e 2007. O show é lindo e parece que Beirut é enorme em Portugal, como no Brasil, com direito a fans chorando na primeira fila. Tenho uma amiga que diz que é a música do enterro do elefante do circo, o que não deixa de ser um ponto de vista coerente.
A M.I.A. acabou de lançar um video meio incrível, que lembra um outro, mesmo que a musica seja bem mais ou menos. Essa semana ela ainda não aderiu a nenhuma causa nova.
E ontem em São Paulo teve show do Fuck Buttons, que toca de novo sábado e que eu não perderia por nada se estivesse na área. Vi duas vezes aqui em Paris, e ao vivo a banda é ainda mais poderoso que o disco. Em duas palavras: Heavy Metal.
Tinha algo de familiar no desfile de alta-costura da Chanel, que aconteceu mês passado no Grand Palais. No centro da passarela posava um enorme leão, signo e talismã de Mademoisele Chanel. A cenografia era grandiosa mas não tanto quanto o delírio megalomaníaco do gelo no desfile anterior. (que foi lindo, desculpa.)
Enfim, eu conhecia esse leão de algum lugar e para a minha surpresa era bem de chez Yves Saint Laurent: em 2008, durante dois meses a imprensa francesa foi monopolizada pelo tal leilão em que Pierre Bergé, seu empresário e companheiro de vida, vendeu tudo, dos Picassos até o ultimo bibelô que recheavam os dois apartamentos, o seu e o de Yves. Entre todas essas peças tinham algumas estatuetas de leões, que assim como o de Chanel, era o signo de YSL. Um deles era esse da foto ao lado, um leão em prata com os olhos de rubi. (No blog de Hedi Slimane tem uma sessão de belas fotos das duas casas)
Acho que dá pra imaginar quem arrematou a peça, mas o que é mais engraçado é pensar que os dois estilistas eram arqui-inimigos desde os anos 70... a estória é longa, envolve uma paixão em comum e valeu um belo livro. Um dia eu falo sobre isso. ; )
Aparentemente nunca foi Plastique Bertrand que cantou o mega hit Ça Plane Pour Moi, mas sim o produtor, Lou Deprijk.
Não que isso seja importante... honestamente ninguém aqui vai ter que devolver um grammy ou algo do tipo. A noticia que foi divulgada pelo produtor e negada até a morte pelo cantor belga só prova que o pop francês teve um momento de glória nos arnaques cult nos anos 70. Vale lembrar que o Village People foi criado por dois produtores franceses e, diz a lenda, que no auge o grupo contava com no mínimo tres elencos diferentes (tipo o Blue Man group) que faziam shows simultaneos nos 7 continentes.
Depois da fase da bolsa nos anos 00, com uma it bag a cada semana, acompanhada de sua celebridade a tiracolo, e da fase dos sapatos, com a corrida de quem faz mais alto, mais esquisito, mais colorido, agora, se alguém já reparou, é a vez é das bijous, cada vez maiores e mais extravagantes, aqui vai uma listinha de alguns nomes inevitáveis ou a serem seguidos.
Elie Top, por exemplo é o mago responsável pelas guloseimas que se vê nas passarelas da Lanvin, que nunca são poucas. Pencas de novidades a cada coleção, para todos os gostos, mas principalmente para grandes gostos, coloridos, e carregados de detalhes. Se fossem sorvetes elas seriam a melhor Banana Split dupla da praça.
Loulou de la Falaise
Elie teve uma boa escola ao lado de Loulou de la Falaise, (foto) musa e criadora das bijous Yves Saint Laurent, onde os dois trabalharam juntos nos anos 90, e onde Alber Elbaz o descobriu. Loulou aliás ainda está na ativa, claro, com uma linha própria e uma loja na rue Cambom, do lado da Chanel. Sempre a mesma, como um patrimônio de Paris.
Não longe dali, na Rue Saint Honoré, bem em frente a Colette tem a Monies, uma marca dinamarquesa de inspiração étnica, cuja criadora costuma estar atrás do balcão. A loja é bem pequena, ao contrário das bijous, sempre em matérias naturais nobres e formas exageradas. Eu adoro os colares de ébano, que me lembra um pouco as peças dramáticas em cerâmica que Christine Yufon faz para a Neon.
Entre os novinhos eu adoro a Shourouk Rhaiem, uma francesa que não tem medo de ser cafona e que trabalha com metais e paetês coloridos, com formas engraçadas, ou a mega querida Regina Dabdab, que faz peças únicas bem lindas com cristais brutos e madeiras achadas por aí. (ela assinou as bijous do penúltimo desfile masculino de Herchcovitch)
Chanel uma vez comparou usar jóias verdadeiras a andar com um cheque pendurado no pescoço, O comentário, (tão naïf para nós, aqui da terra de assalto) foi o começo do seu affair com quilos de pérolas falsas, pedras multicoloridas, camélias de seda, correntes e mais correntes. Hoje quem assina hoje as lendárias bijous Chanel é a ótima Laetitia Crahay, que também responde pela criação na Maison Michael, uma marca francesa tradicional de chapéus que fez um belo came back recentemente.
Na corrida por quem faz as melhores bijous a Maison Dior acaba de contratar Camille Miceli a peso de ouro e com uma bela carta branca, ela que por muito tempo trabalhou do lado de Marc Jacobs na Louis Vuitton, e fez a festa em coleções recheadas de bijous, como a africana de alguns anos atrás. Vamos ficar de olho.
1 FFFFOUND! Dá até para falar que é pesquisa, então um pouco trabalho, mas na verdade o site é um baú infinito de um monte de coisas legais, atualizadas a cada cinco minutos.
2 GIF PARTY Onde os Gifs se encontram, e ficam lá. Versão moderna de um aquário.
3 Photoshop Disasters O nome já diz tudo: retoques infelizes, pessoas sem perna, braços elásticos. Diretores de arte que faziam outra coisa enquanto deveriam estar trabalhando. 4 Totally Looks Like. Celebridades que se parecem com outras celebridades, ou com um copo.
Yves Saint Laurent era um gênio e todo mundo sabe. Sabe tanto que é redundante falar no assunto. E para quem ainda duvida o Petit Palais está expondo a sua carreira, de novo, se você perdeu ou não algum detalhe das ultimas exposições, livros, retrospectivas, leilão. Vale a pena pra quem tá na área, mas tem fila, ja vou avisando.
Lulu e seus amigos
O que pouca gente sabe é que ele também foi o autor de uma História em quadrinhos lá nos anos 60, época que ele ainda trabalhava na Dior. A heroína da história se chama Lulu, da linha criança de personalidade forte, a sua maior diversão é roubar o noivo das amigas, se despir em público e matar. Sarcástica e impagável, o personagem é uma pérola de uma época bem menos politicamente correta que hoje.
Em um de seus momentos mais inspirados ela organiza uma festa de aniversário mas acha tudo chato, chama todos os amigos para brincar em uma casinha que ela tranca e taca fogo, de tédio, acho, sei lá. Não dá para falar que é uma HQ para qualquer criança, um pouco de recuo é aconselhado.
A HQ é descrita por quem não sabe do que se trata como "Contos satânicos, escandalosos e incitantes à pornografia infantil, inapropriados para qualquer idade" e dá pra imaginar porque ninguém nunca falou muito no assunto. Mesmo assim, para a alegria da minoria que ainda tem um pouco de senso de humor nesse mundo, A Vilaine Lulu ganhou uma reedição e não é muito dificil achá-la por aqui.
Existem bandas que podem mudar o meu humor em 5 segundos. Não importa onde e como, quando tudo está cinza, velho e empoeirado, depois de 5 meses de inverno, sem sol, com saudades dos amigos, do Brasil, desejando secretamente a minha adolescencia de volta eles sempre estavam lá, como uma caixinha de pandora, meu segredo dentro de um fone de ouvido. "I've got style, so much style, miles and miles and it's wasted..."
E todo esse tempo eles nem estavam mais mais lá. A primeira vez que eu escutei foi em 1999 e eles já tinham se separado. Mais de dez anos se passaram, tudo mudou de lugar mas nada mudou de verdade. O que conta ainda é espontaneo, (sinicamente) honesto e sutil . E todos esses discos tem sido, sem que eu tenha me dado conta, o peso e medida para outras escolhas. "Because there are 40 different shades of back".
Então naquela sexta de manhã eu passo uma boa meia hora brigando com o meu guarda roupa, tentando colocar no mesmo espelho 10 anos de espera. A camisa xadrez de 2002, o que resta de um jeans de 2005 e o scarpin cinza com salto de crocodilo vermelho do inverno 2009... era como se eu de 2010 não quisesse desapontar ou ser desaponteda pelo eu de 1999, e a responsabilidade é grande, todo mundo sabe. E eu ainda tinha um dia de trabalho me separando do show. "I've been sitting here too long..." O dia de trabalho, contando as horas, e depois o show do National, que aliás... desculpa, mas MUITO CHATO. Enfim. eu não sei fazer critica de show e não é agora que eu vou aprender. O que eu posso falar é que, mesmo do lado de toda a antecipação, o show foi enorme. O som estava meio ruim como deve ser, eles erraram e sairam do tempo como nos bons tempos, a cenografia de luzinhas de parque de diversão era perfeita, eu encontrei amigos emocionados e gritando tanto quanto eu no meio da pista , enfim, foi perfeito. "I'm a prize, you are a catch and we are a perfect match."
1. Esqueci como escreve em português... e pra piorar não aprendi o francês. Tenho me comunicado só pela força do olhar ; )
2. Fui abduzida pelo fantasma da Mme Jeanne Lanvin, levada para o sótão da marca para trabalhar sob as ordens de seu atual herdeiro e passei os últimos meses mergulhada em um mundo infinito de paetês, plumas, vestidos drapeados, mangas drapeadas, saias drapeadas, drapeados, estampa de leopardo, lamé, perucas de franja. E tudo isso de salto alto, claro.
3. Estou na fila na porta do Zenith, desde janeiro, para entrar no gargarejo do show do Pavement, próxima sexta. -- Sent from my iPhone --
4. Estava muito ocupada com a minha campanha de conscientização de turistas em Paris: "Eu Não Sei Como Vocês Fazem Lá Na Terra De Vocês Mas Aqui a Galera Espera o Povo Desembarcar Antes de Entrar no Metro Com Essas Mochilas Enormes."
5. Todo o tempinho que restou foi pelo ralo no Facebook, This Recording, Lost, Damages, e um momento ah, tinha esquecido dessa cena das temporadas 3 4 e 5 do The Wire.
E precisando que tudo que vc acha por acaso na internet vai ter Selo, EP, Resenha, Hype, Disco, Mais Resenha, Turne Esgotada, Nervous Breakdown antes mesmo que voce termine de ler esse post.
O grupo na verdade é só um menino, Adam Bainbridge, que vive entre Londres e Berlin. Ele acabou de lançar um single pelo selo inglês Moshi Moshi e, aparentemente só fez 3 shows. Ele faz tudo: musica, vocal, artes. O myspace dele fica aqui.
Eu adoro a mistura Ariel Pink + LCD soundsistem + Arthur Russel (do video abaixo, um artista cuja herança se mostra cada dia mais importante) . No myspace tem uma cover ótima de Baby don't Freak entre outras coisinhas.