Revista TPM

 
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Postado em 18.05.2011 | 12:05 | Iracema Trevisan
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Um dia antes da abertura

Um dia antes da abertura

 

 

Acho que eu nunca fiz muitas ilusões do que é o Festival de Cannes, que já viu muita coisa passar desde que François Truffaut mostrou o seu 400 Coups em 1959. Mas é justo dizer que a realidade foi bem mais próxima de Miami que eu imaginava (digo botox, turista, musica alta, restaurantes cheios) … Sim, Cannes ainda tem seu charme, mas ele é mais difícil de achar,  quando tudo é coberto de autdoors gigantescos do novo Piratas do Caribe.  Um amigo cineasta disse que Cannes é o oposto do que o cinema deve ser. A verdade é o festival virou uma convenção do cinema mundial, com tudo de bom e de ruim que isso acarreta. Tem um video ótimo no Guardian que dá uma bela ideia do lado B do festival.

Eu bem imaginava um plano do tipo visitar o prédio da Bienal em dia de Gisele na SPFW. Mas o que mais me chocou foi o tapete vermelho em si, que eu sou obrigada a compartilhar a primeira palavra que veio na minha cabeça: Quermesse. Uma pilha de fotógrafos de cada lado, um locutor com um microfone que descreve as stars como quem descreve uma prenda em um leilão, muita gritaria e uns tres vestidos bonitos.
A experiência valeu por ter visto Woody Alen e Soon Yi em um corredor e constatar que ela hoje é uma senhora discreta de 40 anos.

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Mudando de assunto, eu finalmente resolvi lançar um projeto que estava nos meus planos ha uns bons dois anos, B.Heart existe para o mundo desde o começo do mês passado.

A idéia é lançar ediçoes limitadas de produtos que me dão na telha. E como a minha vida é um eterno Work in Progress eu tenho um mais um blog só de imagens, diferente desse. Inpiraçoes e trabalhos pela metade.

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Postado em 28.04.2011 | 09:04 | Iracema Trevisan
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Procurando uns arquivos no meu computador eu achei esse texto, que fazia parte do meu relatório de estágio, resolvi traduzir para colocá-lo aqui. É um pouco um diario em retrospectiva dos oito meses que eu passei no estúdio da Lanvin.

 


O Estudio visto de fora

O Estudio visto de fora

 

A minha primeira semana foi passada na máquina de costura, para ficar bem claro que os meus dias de estilista madame tinham acabado (saudades da Fifi e da Maria). Até aí nenhuma surpresa, na maior parte das grandes Maisons quem cria senta e faz. E eu, como estágiaria, estou lá para isso. A parte surpresa da semana foram as várias agulhadas e tesouradas que eu me dei, vale dizer, sem intenção. Enfim, sangue. E eu com cara de "imagina, eu sempre costurei, tão desastrada essa semana".A pior delas foi uma com a agulha da máquina, história de trocar a bobina e pisar no pedal sem querer, acertou a unha do dedo do meio bem perto da cutícula, a unha trincou e a marca ficou lá, descendo na medida que a unha crescia.

O estúdio em questão fica no sexto andar da sede da marca, um sótão com vista para o estudio de uma outra marca, ainda mais antiga, com pessoas que trabalham como nós e as vezes também páram para observar o que se passa do outro lado. Como num desenho de Sempé.

No quinto andar tem o atelier, onde ficam as costureiras mãos de fada. Lá tem sempre alguém com um pacote de doces a tarde, que me pergunta do Brasil, praia, calor, contando de algum primo que se mudou para Parati e depois falando que nunca viram tanto vestido feio quanto nessa coleção. Assim, sem sala nenhuma. "olha aquilo, que horror, quando eu era jovem não era assim".

As vezes tem uma que se aposenta. E depois de 36 anos trabalhando para a marca esse dia merece champagne, macarrons, presentes, muita foto digital, algumas lágrimas e discurso. Em um desses dias eu fiz as contas de quantos estilistas ela já viu passar, quantas vezes a saia godê entrou e saiu de moda, menos vezes que a saia baloné, imagino...

A coleção passou rápido como a neve de Paris, idéias vieram e partiram, muitas vezes em menos tempo que me leva para fazer um protótipo. Toiles canceladas antes de acabadas, que eu guardava do lado da minha coleção de agulhas quebradas. Trabalhar tarde vira rotina e um dia que eu saio as 8 da noite eu me vejo sem saber o que fazer do meu tempo, falta de costume...

A tensão cresce na medida que as outras semanas de moda começam e terminam. NY, Londres, Milão. Uma manhã ensolarada eu saio do metro e dá para sentir que é fashion week . Paris parece um backdrop para fotos do tipo Jack and Jim, Sartorialist. Tem tanto fotógrafo que até essa humilde narradora, bem destruída, dormindo em pé, do tipo voltou da guerra, as 10 da manhã, tive meu look registrado (que com certeza que não foi publicado em lugar nenhum)

A preparação do desfile começa uma semana antes, com toda a coleção pronta para edição e provas. A partir desse dia as histórias se acumulam de qual maison trabalha mais. O taxista que me leva pra casa em uma dessas madrugadas me conta que algumas marcas fazem nuit blanche (noite em claro) na véspera, e eu fico aliviada de ter desembarcado na menos hardcore...

Nessa semana o clima é ninguém entra, ninguém sai, como no jogo de poker de Cincinnati Kid (e eu não excluo o cigarro do cenário). Almoço e jantar são entregues e de segunda a domingo, das 10 da manhã as 2 da madrugada todo mundo trabalha para que tudo de certo no dia do desfile, nada mais. As vezes chegam flores com votos simpáticos de outros estilistas, ou jornalistas que querem ser os primeiros a ver.

O dia do desfile lembra o final feliz de um belo filme... Teve o momento que eu me viro e dou de cara com a Anna Wintour no backstage. Usando oculos e casaco de pele, como sempre. E depois tem o anti-climax de todo o cansaço de duas semanas mal dormidas que te empurra pra casa, na maravilhosa perspectiva de um final de semana de filme e pipoca. Ou, pensando melhor, dá pra aguentar mais uma noite, dependendo da quantidade de champagne.

Na semana seguinte a calmaria.^^~-_- Baby Blue (em inglês, menos dramátido para depressão pós parto). A entrada do estúdio está abarrotada de flores, um buquê para cada um que trabalhou na coleção, com um bilhete de Alber dizendo "Merci pour Tout". De rien.^^~-_-

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Postado em 27.04.2011 | 12:04 | Iracema Trevisan
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* É sempre uma boa noticia quando Mike Mills anuncia um trabalho novo. O diretor de Thumbsucker tem um blog dedicado a seu novo filme, que deve sair em Junho nos EUA. Ele se chama Beginners e sai junto com um livro de desenhos.

 

Novo livro de Mike Mills

Novo livro de Mike Mills

 

 

Robert Smithson, Spiral Jetty

Robert Smithson, Spiral Jetty

 

 

City, Michael Heizer

City, Michael Heizer

 

* Um pouco mais da série 'Perdendo Tempo na Internet...'

Land Art é um movimento artístico que apareceu nos EUA nos anos 60, derivado do minimalismo. Os trabalho de Walter de Maria, Richard Smithson, Michael Heizer são bons exemplos. O que mais fascina na Land Art é a ideia de peregrinação, de inacessibilidade, de passar três dias viajando no meio do nada para achar uma escultura, ou, na versão economica, voce pode tentar acha-los pelo Google Earth, no meio do deserto do Arizona, ou em um lago em Utah. (E o melhor, City, por exemplo ainda está em construção, fechado ao publico, exceto para quem o vê de um satélite)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

* Toro Y Moi é a minha banda preferida, desde a semana passada. Um pouco como um herdeiro dos outros grupos que eu postei por aqui. ; )

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Postado em 22.11.2010 | 14:11 | Iracema Trevisan
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Para quem teve receios que a onda ultra sexy do novo pop ia parar no XX, Forget, o disco de estreia do Twin Shadow (nom de guerre de George Lewis Jr) foi uma boa surpresa, talvez a melhor em um bom tempo.

O disco, que saiu ha um mês (acho) tem sido aclamado pela imprensa e fez de George o herdeiro latino dos Smiths.

No meio de um balde de influencias que vão de R&B , Echo and the Bunnymen a new wave o menino me deixou sem palavers, escutando "‪Tyrant Destroyed‬" no repeat um dia todo porque nada no mundo me parecia mais legal que a hora que ele diz: "I'll never let another black boy break my heart" ou "If it wasn't enough to hear you speaking, they had to give you lips like that" As letras são tocantes, despretensioso e esse disco, como todos os bons discos de estreia parece ter sido escrito passo a passo durante os últimos 10 anos da sua vida, como um diário de adolescente.

E para deixar tudo ainda melhor tem esse clipe que, desculpa, é perfeito.

 

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Postado em 08.11.2010 | 10:11 | Iracema Trevisan
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Fatos diversos sobre a França, recolhidos durante dois anos de análise imparcial.

. A loja de departamentos mais cara de Paris se chama Le Bon Marché (O Barateiro) e isso é um raro exemplo do senso de humor francês.

. Catherine Deneuve são duas: O mito bonne fille de família e a realidade mulher-mais-legal-do-mundo, que se joga, é engraçada e tem tendências ninfomaníacas. (diz a lenda que nem entregadores de pizza saem ilesos) Alain Delon continua dando um caldo, Brigitte Bardot deveria evitar aparecer em publico (ou pelo menos falar em público).

. No transito, as Rotatórias Turísticas (tipo a do Arco do Triunfo) são grandes terras de ninguém, sem pistas, faixas ou placas, elas funcionam por intervenção astrológica. Eu não aconselho iniciantes a atravessar a Place de la Concorde de bicicleta, assim, sem ter um plano preciso antes.

. Celular pega no metrô, em qualquer lugar. As pessoas falam, mandam e-mails, sms e eventualmente também têm seus telefones roubados.

. O Roberto Carlos daqui é um pouco mais roque. E ele foi casado com a Wanderléia daqui nos anos 60.

. As crianças não têm aula de quarta e tem férias de 10 dias a cada seis semanas.  Quando eles crescem eles fazem greve com a mesma frequência.

. Cada região tem seu produto típico, com um selo de AOC (Apelação de Origem Controlada). O Champignon de Paris, por exemplo é cultivado no porão dos prédios, obviamente em Paris. Existe também um peixe exclusivo do rio Sena, mas eu nunca vi.

. Bordeaux é o vinho protestante de direita, Bourgogne é o católico de esquerda e o Côte du Rhone (de preferencia Orgânico) é o PV. Vale lembrar que a politica francesa não permite áreas de transição. Esteja preparado para responder se voce é de direita, centro, esquerda ou vert assim, na lata. ("Depende" ou "Onde fica o bar? Minha champagne acabou." não são respostas válidas)

. Que música pop não é a especialidade da França todo mundo sabe. O curioso é que as colonias não ajudaram muito. Enquanto os ingleses aprendiam o reggae na Jamaica os franceses  se divertiam pencas com o Zouk nas Antilhas, que ficam bem ali do lado, vale lembrar.

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