Revista TPM

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Postado em 26.04.2007 | 00:00 | Tania Menai
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Aconteceu na segunda à noite. O encontro foi marcado na rua 22 com a Sétima Avenida e de lá iríamos a um restaurante. Mas, de repente, surpresa! Meus amigos – um inglês, uma paulista, um colombiano e uma italiana – apareceram num Mini Cooper conversível e apenas disseram: “Pula aí, vamos rodar essa cidade.” Pulei. E me despi do preconceito que tinha ao ver o estilo “new rich” da moçada dos carros abertos.

A noite estava linda e o som nas alturas. Ao voltante, Carlos, o colombiano, queria mostrar Nova York para Joe (o inglês) e Letícia (a paulista), casal que vive em Bristol, na Inglaterra, e adora uma aventura: ele acabava de chegar do Alaska e ela da Amazônia. Pois aventura não faltou. A música começou com samba-lounge e acabou com baladas árabes, o que combinou perfeitamente com o modelitos das três donzelas do banco de trás: o vento era tanto, que transformamos nossos chales em burkas. Um luxo.

Um carro vermelho conversível correndo mais que o papa-léguas (bip-bip), com dois homens na frente, três “muçulmanas” atrás e aquela música toda não deixava dúvidas: éramos a trupe do petrodólar. Com três fotógrafos profissionais a bordo, a noitada foi documentada a cada minuto e de todos os ângulos (a foto acima é minha, não deles!). Subimos para o Harlem passando pela Times Square, escorregamos até o sul, cruzamos a Brooklyn Bridge, voltamos para Nolita, jantamos no franco-marroquino Cafe Gitane, continuamos pelo Financial District, East Village, Chelsea e sei lá mais onde. Com cabelo-espanador entregamos o carro, felizes da vida, às duas da manhã. E voltamos pra casa...de táxi.
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Postado em 23.04.2007 | 00:00 | Tania Menai
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Nuca, joelho, ombro. Tudo o que a gente não via há seis meses começou a reaparecer no sábado passado junto com o... sol! Os restaurantes já colocaram mesas nas calçadas, todo mundo passou a topar tudo sem preguiça de sair de casa e o Central Park... é, isso aí, lotado. Uma mistura de Posto Nove, com Pepê e Baixo-Bebê; uma festa. Claro que na sombra ainda é geladinho e, se você não sair com um casaco a tiracolo, acaba o dia batendo os dentes. Tem gente que passa o fim da tarde catando loja pra comprar um pullover. Ou seja, não se engane: ainda não é verão. Mas por hoje é só, porque tá sol e vou pra rua! Se você estiver em Nova York, conta aí o que você fez no primeiro fim de semana iluminado. E não esqueça o protetor solar.
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Postado em 18.04.2007 | 00:00 | Tania Menai
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Outro dia fui almoçar com um amigo num restaurante vegetariano-asiático, o Zen Palate. O garçom era tão simpático, mas tão simpático, que conlcluímos que o rapaz era novato tanto na profissão quanto na cidade. Era muito bom pra ser verdade. Essas peças são raríssimas e fazem de qualquer refeição um prazer, independente do que fôr servido; no caso, uma refeição ultra simples.

Já outros atendentes tentam aumentar a gorjeta (proporcional ao valor da conta) empurrando bebida, entrada, sobremesa, café, “erram” na conta final e ainda sugerem o valor da gorjeta. Outros agem como robôs; nem olham para a sua cara. Isso estraga o jantar inteiro. A gente fica preocupado mais em se proteger desses tipos do que em comer.

E ainda há a terceira categoria: a dos figuras. Esse é o caso do barman do Les Enfants Terribles, um restaurante com ares parisienses, pra lá de animado, em plena Chinatown. Você senta no bar, pede o seu peixe, o seu cocktail e fica observando a animação-sem-fim do Christophe, francês como todos os demais, mas que acompanha as baladas do DJ da casa. O cara vai dançando, coloca as misturas do liquidificador, rebola, mistura com vodka, pula, coloca no seu copo e sorri. Esse sim merece a maior gorjeta do mundo. Afinal, como se diz na minha terra: simpatia é quase amor. Allez, allez!!

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Postado em 13.04.2007 | 00:00 | Tania Menai
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Se alguém te disser que mora entre o Starbucks e a farmácia Duane Reade pode levar como piada. Qualquer quadra em NY tem um Starbucks e uma Duane Reade. Às vezes tem dois Starbucks e duas Duane Reads. Soa repetitivo? Pois experimente andar, andar, andar e só ver isso pela frente. Quer pior exemplo que a rua 57, onde tem uma Duane Reade em frente à outra? (Em tempo: Duane e Reade são nomes de ruas de TriBeCa, onde ficava a primeira loja da cadeia).

Acabo de sair de uma delas. Fui comprar sabonete líquido para as mãos e saí com maquiagem, condicionador para cabelos normais e chiclete de melancia. Até que foi pouco. Costumo sair mais carregada, com cartões de aniversário, elástico pra cabelo, meia de ginástica, pilha, espanador de pó e bala de vitamina C. Certa vez, fui até comprar capa de chuva para um amigo.Você acha de tudo – de aspirina a refrigerantes. Dizem por aí que só mesmo aqui para achar um lugar que vende o que te salva e o que te mata.

Este também é o paraíso das mães. Basta dizer que vamos passar uns dias no Brasil que lá vem a lista das vitaminas e pastas de dentes. Aaah, elas amam as vitaminas. Mas aí é outro problema: a vitamina C tem que ser de 500 mg, a vitamina E tem de ser de 600 cápsulas, o Centrum tem que ser o Silver. Você se sente num jogo de bingo em meio às prateleiras até acertar todas as combinações. E acredite: sempre erra.

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Postado em 05.04.2007 | 00:00 | Tania Menai
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Esta semana dei um pulo nos Estados Unidos. Por Estados Unidos entende-se tudo que não é a cidade de Nova York e San Francisco. Estados Unidos, mais precisamente, é aquele amontoado de carros em vias expressas sem começo nem fim, que nasceram para enriquecer a indústria automobilística e criar cidades fantasmas. Exemplo disso é Los Angeles. Você dirige, dirige, dirige e, como diz a primeira frase do filme Crash: “Só esbarra com alguém se bater no carro alheio. Você está sempre por trás deste vidro e metal.”

Não há gente nas ruas. Aliás, quase não há ruas. Sem isso, não há almas. Nem vivas e nem mortas. Ninguém caminha. Até para depositar um cheque o cidadão vai a um banco drive-thru. Em subúrbios típicos, você passa por um Burger King, logo em seguida por um Dunkin’ Donuts, que fica do outro lado da pista de um Taco Bell – até aí o meu apetite já foi pro espaço. É o que a Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, tenta ser: um bairro sem esquinas, o oposto das piazzas italianas que convergem comunidades. Bairro sem esquinas e sem praças não é bairro. E sei lá eu o que é.

Tudo bem, há quem argumente que, nos subúrbios, as casas são espaçosas, que você consegue abrir os braços e não derrubar a estante. Ótimo para quem tem crianças. Mas...e daí? Cadê a vida de rua? O acaso? O charme? As estações de trem te deixam no meio de auto-estradas. Se você não tiver alguém para te buscar – de carro – você não sai dali. Voltei de trem do subúrbio para Manhattan lendo a revista TPM e ouvindo Gilberto Gil no iPod, para colorir um pouco daquela paisagem triste do lado de fora. Adorei chegar na Penn Station, com aquela gente interplanetária te empurrando, amassando, tropeçando. Isso sim é vida. Como canta Gil: “Só deixo meu Cariri no último pau-de-arara.”
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