Revista TPM

 
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Postado em 01.02.2012 | 08:02 | Elka Andrello
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elka andrello

Meditando no quintal de casa na Índia

Meditando no quintal de casa na Índia

 

 

Todas as vezes em que entra em lugar novo a Graziela some. Pode ser  em uma loja, supermercado, ou templo hindu. É só eu piscar e ela desaparece. E depois reaparece com um amigo novo, uma história para contar ou uma pergunta inteligente. Dessa vez estávamos em um restaurante em Pokara, pequena cidade no Nepal aos pés do Himalaia, onde eu estava fazendo uma reportagem para uma revista. Era um restaurante com muitos peixes no menu e um aquário onde os turistas podiam escolher uma truta fresquinha para comer. Como sempre, saí atrás da minha pequena exploradora e encontrei a seguinte cena: a Graziela falando pelos cotovelos dentro da cozinha, com o chef, os cozinheiros, lavadores de prato e boa parte dos garçons, todos em silêncio ao seu redor.

 

 

Ela se ligou que os peixes do aquário iam parar no prato dos fregueses, ficou horrorizada e, do alto dos seus 5 anos, tomada por compaixão pelos peixinhos, entrou na cozinha com lágrimas nos olhos para tirar satisfações com o cozinheiro. Ela argumentou, em nepalês, que matar é muito feio e que o peixe tinha direito de permanecer vivo e nadar feliz até ficar velhinho e morrer, como todos nós. Nesse dia virou para mim e disse: “Você sabe mãe, eu me preocupo muito com a felicidade das pessoas e dos animais”, e pediu para nunca mais comer nenhum bichinho.

 

A Graziela foi concebida, gerada e nasceu em um monastério budista onde eu morava, no topo de uma montanha, no Rio Grande do Sul. Desde pequena, recebeu colo de amorosos e sábios Rinpoches, mestres budistas do Tibete, e viveu em comunidade, aprendendo de perto como a atitude de cada um influencia a qualidade de vida de todos. Nessa época eu documentava em vídeo os trabalhos de pintura e escultura de artistas nepalêses e butanêses. A Gra sempre me acompanhava e ganhava um pincél e tinta para brincar. E durante dois anos e meio acompanhamos os trabalhos de arte na contrução de Budas e estupas. Dessa convivência com lamas, meditadores e artistas, ela aprendeu um pouco a ouvir o silêncio.

 

Por recomendação do Rinpoche, nos mudamos para a Índia, no vilarejo vizinho onde mora o Dalai Lama e fica o governo do Tibete no exílio. Logo no dia da nossa chegada, por uma sorte incrível, encontramos com o Dalai Lama no aeroporto e recebemos um abraço de boas vindas. Depois de um tempo, voamos para a Tailândia, e viajamos de norte a sul do país. A Grazi brincou com as crianças da tribo Karin, aquelas que usam argolas para alongar o pescoço, andou de elefante e de bicicleta por ruínas de Budas do século 13. A próxima parada foi Kathmandu, a capital do Nepal, onde moramos há dois anos ao lado da Grande Estupa. O som dos monjes fazendo as orações da manhã são nosso despertador, e os tibetanos refugiados nossos vizinhos e amigos.

 

Em São Paulo, parei o carro em um estacionamento na Avenida Paulista numa chuvosa e cinza segunda-feira de manhã. Ao entregar a chave do carro para o manobrista, a Grazi cochichou no meu ouvido com o mesmo tom de voz que defendeu os peixes em Pokara: “Mãe, por que esse homem é tão triste?”. Tentei explicar para ela como é dura a vida de um trabalhador em uma cidade grande como São Paulo. Ela ouviu em silêncio e respondeu: “Você sabe mãe, eu me preocupo muito com a felicidade das pessoas e dos animais”.

 

 

Com Getse Rinpoche e o nosso amado Jigme Tromge Rinpoche

Com Getse Rinpoche e o nosso amado Jigme Tromge Rinpoche

 

 

 

 

 

 

 

elka andrello

Enquanto a mãe faz vídeos...

Enquanto a mãe faz vídeos...

 

 

 

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...a filha pinta

...a filha pinta

 

 

 

 

 

 

 

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No monastério onde nasceu no Brasil

No monastério onde nasceu no Brasil

 

 

 

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Lotus temple, Índia

Lotus temple, Índia

 

 

 

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Bicuda para cortar o cabelo na Índia

Bicuda para cortar o cabelo na Índia

 

 

 

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Bezerrinho no quintal na Índia

Bezerrinho no quintal na Índia

 

 

 

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Nossa vizinha na Índia

Nossa vizinha na Índia

 

 

 

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Fazendo boneco de neve na escolinha na Índia

Fazendo boneco de neve na escolinha na Índia

 

 

 

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Com o vizinho em Sidhipur, Índia

Com o vizinho em Sidhipur, Índia

 

 

 

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Brincando com tulkus na Índia

Brincando com tulkus vestida de bailarina na Índia

 

 

 

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Tailândia

Tailândia

 

 

 

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Andando de elefante em Chiang Mai, Tailândia

Andando de elefante em Chiang Mai, Tailândia

 

 

 

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Bouddha, Nepal

Bouddha, Nepal

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Postado em 25.01.2012 | 20:01 | Elka Andrello
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O lugar mais bacana que encontrei em Katmandu e vou sorrindo à todos os eventos é um coletivo de artes chamado Sattya, pelos amigos.

 

Sattya Media Arts Collective, como o próprio nome diz, é um coletivo de artes que traz uma inédita brisa criativa para Kathmandu, a capital do Nepal. Sattya, que quer dizer verdade em sânscrito, foi criado em 2009 e é dirigido às pessoas que acreditam  que o poder do debate, conhecimento e expressão artística, inspiram as pessoas e podem sim mudar a sociedade.

 

Escritores, filmmakers, fotógrafos e qualquer forma de expressão criativa encontram no Sattya uma fonte de recursos e contatos para desenvolver projetos artísticos. O coletivo funciona como um hub da cultura DIY (do it yourself) na cena local.

 

Os projetos e as atividades são variadas: workshop de stencil, fotografia, poesia, vídeos, criação de jardim comunitário, e por aí vai. As festas no rooftop são as mais bacanas da cidade, a pegação dá vez a um bom bate-papo e a oportunidade de encontrar muita gente bacana do mundo todo.

 

Nesse final de semana acontece um workshop de Stopmotion.

 

#FICAADICA

 

 

sattya media arts collective

 

 

 

sattya media arts collective

 

 

 

 

sattya media arts collective

 

 

 

 

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sattya media arts collective

 

 

 

 

sattya media arts collective

 

 

 

 

 

 

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Postado em 29.12.2011 | 09:12 | Elka Andrello
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A nepalêsa Anuradha Koirala, considerada uma heroína em seu país pelo notável trabalho de resgate de crianças e mulheres da escravidão sexual, foi tema de documentário feito pela super star Demi Moore. A atriz viajou até o Nepal especialmente para filmar o documentário “Nepal’s Stolen Childrem”, sobre a ativista e seu combate à exploração sexual.

Anurala Koirala é fundadora da organização Maiti Nepal, que nos seus 20 anos de atividade resgatou mais de 12.000 crianças e mulheres do tráfico sexual. O Nepal é um ponto estratégico onde os traficantes aliciam mulheres até os bordéis na Índia, através de falsas promessas de casamentos arranjados ou bons empregos. A equipe de Koirala, formada por pessoas resgatadas da escrevidão sexual, trabalha em parceria com a polícia do Nepal, em 10 do total de 26 postos de imigração na fronteira com a Índia, que equivale ao tamanho da Grécia. Eles interceptam por volta de 20 mulheres por dia na fronteira. Os outros trabalhos realizados pela Maiti Nepal são de educação para que as mulheres e famílias não sejam enganadas pelas falsas promessas dos traficantes, ação judicial para a punição dos criminosos, um hospital para o tratamento de AIDS e reinserção das pessoas resgatas na família e comunidade.

Demi Moore é uma apaixonada defensora de pessoas vítimas da escravidão. Ela fundou a ONG DNA com o ex-marido Asthon Kutcher, que luta contra a exploração sexual e o tráfico de pessoas. Nomes como Justin Timberlake apoiam as atividades da DNA.

 

O documentário “Nepal’s Stolen Childrem” foi produzido pela CNN, para o Freedom Project. Koirala recebeu o prêmio CNN Hero of the Year, em 2010.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Postado em 27.12.2011 | 10:12 | Elka Andrello
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O grafite começou a estampar as paredes do Nepal apenas em 2011. Essa forma de arte não é legal nem ilegal, o que faz da cidade um canvas perfeito para os artistas. Os nepalêses não entendem porque alguém gasta tempo e dinheiro para desenhar nas paredes, até então eles apenas conheciam os informes politicos, os Devanagari, pintados em vermelho pelas paredes da capital para informar sobre as reuniões dos partidos, ou as propagandas criadas pelos maoístas durante os 10 anos de guerrilha que assolou o país. As paredes da cidade que até então serviram para trazer más notícias e medo, agora dividem espaço com artistas internacionais como o mundialmente famoso Space Invader e Bruno Levy e artistas nacionais.

 

 

Space Invader Nepal

Space Invader Nepal

 

 

 

Space Invader Nepal

Space Invader Nepal

 

 

 

Space Invader Nepal

Space Invader Nepal

 

 

 

Space Invader Nepal

Space Invader Nepal

 

 

 

Space Invader Nepal

Space Invader Nepal

 

 

 

Space Invader Nepal

Space Invader Nepal

 

 

 

Bruno Levy Nepal

Bruno Levy Nepal

 

 

 

Bruno Levy Nepal

Bruno Levy Nepal

 

 

 

Bruno Levy Nepal

Bruno Levy Nepal

 

 

 

Bruno Levy Nepal

Bruno Levy Nepal

 

 

 

Bruno Levy Nepal

Bruno Levy Nepal

 

 

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Postado em 16.12.2011 | 14:12 | Elka Andrello
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Esse vídeo eu fiz para a ESPN Brasil

 

 

Marius Arter, suíço nascido no Nepal, inaugurou a primeira loja de skate do Nepal, a Arniko. Arter exporta skates artesanais com acabamento original: desenhos entalhados por artistas locais com técnicas ancestrais nepalêsa, que bem poderiam estar pendurados enfeitando uma parede.

 

Andar de SK8 nas ruas de Kathmandu, capital do Nepal, é desafiador para qualquer pro. As ruas não tem calçadas, motos brigam com pedestres e rikshaws e os carros buzinam sem parár. A cada esquina um templo hindu, estupas, mulheres de sari e vacas. O skatista não precisa se preocupar em achar obstáculos para praticar, a cidade já é um grande desafio para as rodinhas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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