Revista TPM

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Postado em 26.08.2010 | 10:08 | Elka Andrello
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Imagem: divulgação

equipe de sherpas e lixo coletado

Equipe de sherpas e lixo coletado

 

Um dia desses fui tomar café com uns sherpas tudo de bom, olha só que legal o trabalho que eles fazem aqui no Nepal!

 

Duas expedições nepalesas tiveram uma iniciativa inédita: recolher o lixo deixado no Evereste. A montanha mais alta do mundo foi aberta para expedições em 1952, segundo o governo do Nepal, 5.070 pessoas já escalaram a montanha no lado nepalês, e desde então restos de tendas, cordas, galões de oxigênio, latas de coca-cola e até corpos (mais de 300 pessoas morreram na montanha), se acumulam da base até o topo. Com o aquecimento global a neve está derretendo e mais corpos e lixo  aparecem.  Escaladores sherpas recordistas em número de vezes a chegar ao summit (topo) como o recordista mundial Apa Sherpa, 20 vezes no topo do mundo, e Dorji Sherpa, 15 vezes summiter, perturbados com a quantidade crescente de lixo encontrado, criaram expedições pioneiras para limpar a montanha e chamar atenção para o aquecimento global.

 

 

OUR EXTREME EVEREST EXPEDITION 2010

Essa expedição foi formada por 31 sherpas, entre eles 20 montanhistas e 11 carregadores. No total 6 membros da equipe chegaram ao summit há 8.848m, onde onde ficaram 30 minutos coletando lixo, e 20 membros na zona da morte, parte da montanha que fica acima de 8.000 m.  Na zona da morte mal dá para se mover por causa da altitude e do ar rarefeito, imagine o esforço que é coletar e carregar 2 corpos e 1.800 kg de lixo. Os corpos resgatos são de um ecalador russo que morreu esse ano, segundo eles “um gigante”, precisou de 6 sherpas para carregá-lo, e o outro  de um suíço morto em 2008. Os corpos foram trazidos até o acampamento na base do Evereste e transportados de helicóptero para Kathmandu. A expedição foi um sucesso, com os dados coletados e a quantidade de lixo trazida, eles conquistaram o respeito do governo nepalês e agora trabalham em conjunto para criar leis de proteção ao Evereste e à cordilheira do Himalaia.

 

ECO EVEREST EXPEDITION

Essa foi a 3.a  edição da ECO EVEREST EXPEDITION. Em 2008 eles coletaram 965 kg de lixo na base do Evereste, sendo 75 kg de restos humanos (fezes). Em 2009 trouxeram 6.000 kg de lixo e a carcaça de um helicóptero de 700 kg que caiu em 1973, há 5.486 m de altura.  Desde 2008 até hoje eles recolheram 12.000 kg de lixo e 300 kg de restos humanos. Apa Sherpa, integrante da equipe, bateu o seu próprio recorde mundial ao chegar no topo do Evereste pela 20.a vez em maio de 2010, durante a expedição. Para mostrar que é possível escalar a montanha sem destruir e poluir, eles usaram fontes alternativas de energia como um sistema solar parabólico para cozinhar e SteriPENS para purificar a água.

 

 

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Postado em 12.08.2010 | 02:08 | Elka Andrello
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A vida em Kathamdu é bem mais agitada do que em Dharamsala, na Índia, sede do governo do Tibete no exílio e residência do Dalai Lama, lugar onde morei durante 1 ano.

Kathmandu é a capital do Nepal. Pra quem veio de São Paulo como eu,  VJ da hypada noite paulistana, depois morou 4 anos em um monastério budista e 1 ano na Índia, no meio hindus, sikis, tibetanos e muiiiitas  vacas, esta é uma cidade mágica, uma mistura de templos hindus e budistas seculares e … FESTA. Uma noite dessas, tomando uns drinks com amigos no Reggae Bar, a Torre do Dr. Zero daqui, e curtindo uma banda local tocando clássicos do rocky, uma mulher com um xador, veste feminina que cobre o corpo todo com a exceção do rosto, sobe ao palco, pega o microfone e com uma voz linda canta músicas em hindi, que mais parecem lamentos, comovente. Meus amigos nepaleses me contam que ela era a modelo mais famosa do Nepal, e um belo dia alguém bem malvado postou uma sex tape da moça na internet. Para uma sociedade careta e machista como a nepalesa foi um mega escândalo, a coitada ficou marcada e com o filme queimado para sempre. Até que ela conheceu um homem muçulmano, casou, se converteu ao islamismo, passou a usar um xador,  a encarar as pessoas nos olhos novamente e o mais incrível: a subir nos palcos e cantar. Pela sua atitude no palco, ficou evidente que ela se sente livre dos “pecados” do passado e é uma mulher respeitável de novo. Os meus amigos nepaleses também parecem terem perdoado a “pecadora da sex tape”.

O efeito da cerveja e da música em hindi, mais a visão daquela mulher cantando com um xador, me fez pensar quantas vezes nós nos colocamos burkas imaginárias. Eu me considero uma mulher livre, emancipada, e pelo feedback das pessoas, essa é a imagem que eu transmito por aí. E mesmo com tanta modernidade, eu “confessei” para mim mesma quantas vezes eu já vesti uma burka imaginária. Algumas colocadas por outros, mas na maioria das vezes colocada por mim mesma. Eu que saí das festas para um monastério budista, hoje vejo a beleza do caminho do meio. E quem nunca vestiu uma burka imaginária que atire a primeira pedra!


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Postado em 09.08.2010 | 02:08 | Elka Andrello
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Tatuagem não é moda no Nepal. Por aqui, apenas a minoria das pessoas tem tatu, no geral pequenas e na minha opinião não muito bonitas. Um dos artistas mais talentosos daqui, o Mohan, e outros estúdios de tauagem locais, organizaram a Primeira Convenção de Tatuagem do Nepal, que aconteceu nesse sábado com a participação de 31 estúdios. Eu fui lá conferir.

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Postado em 03.08.2010 | 02:08 | Elka Andrello
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Imagem: divulgação

Ani Choying Droma

Ani Choying Drolma

 

Você consegue imaginar uma cantora monja budista com uma voz absurda, com a Tina Turner na platéia e se apresentando num festival com a Tracy Chapman? Essa é a Ani Choying Drolma, minha “vizinha” em boudha, em Kathmandu. A monja pop star empresta sua linda voz para bancar seu monastério e projetos sociais sob críticas dos budistas conservadores que acham que lugar de monja é sentada rezando e não arrasando nos palcos do mundo todo e sustentando dezenas de mulheres vitimas de violência doméstica e extrema pobreza, que encontram na vida monástica uma oportunidade de estudar, viver com dignidade e se livrar de marido uó.

Quando eu soube que a Ani-la (la é um jeito carinhoso que os tibetanos usam para chamar alguém querido) vai cantar no Brasil pela primeira vez, corri para pedir uma entrevista. Super ocupada, recém chegada de Moscou e decolando para Índia e Brasil, ela me recebeu na sua casa mega gripada. Eu estava num dia de mega-mal-humor-sei-lá-por-que e saí do encontro leve como uma pluma, abastecida de girl power!

Ani Choying decidiu ser monja aos 10 anos de idade. Assim novinha, filha de um pai tibetano beberrão que espancava ela e a mãe, questionou os por quês da vida e se mandou para um monastério para estudar com o grande mestre budista Tulku Urgyen Rinpoche, que se tornou seu guru e mudou sua vida para sempre. Rinpoche tinha um estilo diferente e bem bacana de ensinar, ele orientava seus alunos a conhecerem suas qualidades e defeitos, se ver sem máscaras, e assim se aceitarem e serem capazes de ser “do bem” para si mesmos e para os outros. Ani-la se tornou “unze”, a pessoa que canta os mantras nas práticas budistas, e um belo dia um músico chamado Steve Tibbetts Chö, que visitava o monastério, ouviu a monja cantando e a convidou para gravar um cd, o primeiro de vários. Rinpoche deu total apoio e ofereceu uma transmissão oral para ela dos mantras sagrados escritos desde a época do Buda. Transmissão oral é uma tradição budista na qual um mestre qualificado transmite as bençãos de um texto sagrado, é uma prática que existe de professor para aluno há séculos. E é isso que torna as músicas da Ani Choying tão especiais, ela entoa os mantras carregados com bençãos dos budas de séculos atrás. Hoje ela conta com 9 cds lançados e paticipações em compilações como a do “Buddha Bar”.

Eu fiquei bem impressionada com a atitude moderna da monja. É difícil encontrar alguém que vem da vida monástica com idéias tão avançadas. Para começar, ela não chama a sua instituição de monastério, mas de escola para monjas, um lugar onde as meninas recebem uma excelente educação acadêmica, aprendem a falar inglês, usar o computador e internet, a trabalhar como agentes de turismo, assessoras de imprensa, aprendem pintura, dança e música. Seu mais recente projeto foi comprar dois horários por semana na TV aberta nepalesa, onde que ela quer produzir um programa com uma pegada meio MTV e me convidou para fazer parte da equipe de criação. Seu argumento é simples e óbvio: os tempos mudaram e uma monja comprometida a ajudar as pessoas precisa se atualizar. E para completar, a monja moderna adora sapatos!Alguém aí ainda acha que lugar de monja é só sentada rezando?

 

Imagem: divulgação

Ani Choying com as monjas da Arya Tara School

Ani Choying com as monjas da Arya Tara School

 

 

Quer conhecer a Ani Choying?

Ela apresenta o espetáculo “Mantras e outros sons” em Belo Horizonte no Festival FITBH

Sábado, 14 de agosto, às 17 horas, na Casa do Baile (Avenida Otacílio Negrão de Lima, 751, Pampulha). Domingo, 15 de agosto, às 16 horas, no Parque das Mangabeiras (Rua Caraça, 900 – Serra).

Tel. informações para o público: 3277-4366

www.fitbh.com.br/blog 

 

Quer conhecer melhor os projetos da Ani Choying e comprar cds on line?

http://www.choying.com/

 

Facebook

http://www.facebook.com/pages/Ani-Choying-Dolma/110765545093?ref=ts

 

Biografia

"A minha voz pela liberdade", Any Choying Drolma

 

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