Para se tornar empresária, Zica apostou o único bem da família no seu talento: vendeu o Fusca do marido, motorista de táxi aposentado. Em seguida, juntou-se ao irmão Rogério, 39, e a Leila, 34, noiva dele, que se conheceram quando trabalhavam no McDonald’s e toparam mudar o destino das economias reservadas ao casamento para investir na ideia de Zica. Assim, inauguraram a primeira unidade do Beleza Natural, na Tijuca, zona norte do Rio. Mas nem imaginavam que a experiência na lanchonete ajudaria a criar a linha de produção do salão.
A técnica em enfermagem Priscila, 26, sacou um quê de fast-food no Beleza Natural assim que recebeu uma senha. Ao contrário da maioria dos cabeleireiros, onde o recomendado é marcar hora, no salão de Zica você até tem essa opção – se desembolsar R$ 20 a mais –, mas as clientes geralmente ficam na fila, que pode ir parar na calçada. “Já teve quem chegou às três da manhã, mas o tempo médio entre fila e atendimento é de uma hora”, garante a empresária. Enquanto espera, a maioria das clientes não comenta a vida alheia nem folheia revista de fofoca. Comum lá é contar o quanto são mais felizes desde que ficaram em paz com seus cachos.
Desfilar cabelo liso naqueles mil metros quadrados de área é sentir-se uma ET. Mas, para as que têm caracóis nos cabelos, há praticamente um universo paralelo, onde tudo tem seu lugar e método. A primeira parada é na triagem, onde uma profissional faz o diagnóstico dos fios. “Me falaram que eu teria que tirar toda a química que já tinha passado. Ou seja, tinha que deixar só dois dedos de cabelo”, lembra Priscila. Quatro anos depois do corte, seus cachos passam dos ombros.






















